Já
antes tínhamos chamado a atenção para a forma como as autarquias
estão a captar a instalação de call centers nos municípios.
Multiplicam-se os benefícios dados a empresas privadas que incluem,
por exemplo, a cedência de instalações, o pagamento de rendas e
até de materiais de escritório e de limpeza. Esta é uma área que
deve merecer maior escrutínio por parte dos cidadãos de vários
pontos do país ou não fossem os call centers locais onde abunda o trabalho precário e mal pago.
Tomemos o exemplo de Viseu, nomeadamente para a
instalação do contact center da Altice. Na verdade a operação tem
como intermediária a Randstad, que assume a gestão do contact center
para a Altice. No Protocolo de Colaboração entre a autarquia e a
Randstad, com o prazo de cinco anos, e no Contrato Promessa de Subarrendamento para Fins Não
Comerciais surgem vários dados curiosos:
- Os processos de recrutamento e selecção da Randstad decorrem em instalações cedidas ou arranjadas gratuitamente pela autarquia;
- A autarquia, em colaboração com outras entidades, incluindo a Randstad, indica os “professores/formadores de francês, dependendo a mesma da encomenda de serviço e prazos que venham a ser comunicados à Randstad pelo seu cliente Altice”. Se é a autarquia que “indica” os formadores, tendo em conta os interesses da Randstad, quem é que os remunera? O acordo é omisso em relação a isso.
- Autarquia paga renda de 1.800 euros por mês à Universidade Católica de Viseu, uma vez que é aí que se encontra instalado o contact center.
- De acordo com o Contrato de Subarrendamento, as despesas de água, luz, gás, segurança, manutenção e limpeza diária das instalações ficam a cargo da Randstad. No entanto, a autarquia já publicou no Base um ajuste directo no valor de 69.798,12 euros que mostra que o financiamento vai além do estabelecido. Para mobiliário de escritório, acessórios e produtos de limpeza do call center, o município já pagou 69.798,12 euros.


