segunda-feira, 11 de março de 2013

Uma chamada de atenção ao ministro das Finanças


Uma mensagem de uma leitora do Má Despesa Pública que, de uma forma simples, explica como se pode poupar no economato de uma escola.

“Exmo. Senhor Ministro das Finanças:
Sou tesoureira na Escola Secundária Daniel Sampaio em Almada, e como sabe o meu vencimento tem sofrido os cortes que o seu Governo acha necessários para ajudar a combater a crise que assola o nosso País.
No âmbito das minhas funções profissionais, tenho de informar o Ministério da Educação e Ciência, através do Portal de Compras Públicas, a agregação do economato para o ano económico de 2013. Depois de analisar o procedimento a que tenho de dar resposta, deparo-me com a seguinte situação: para comprar uma pen drive de 32GB, vou pagar através das ComprasMEC, 59,33€ se comprar no hipermercado perto da Escola pago pela mesma pen drive, exatamente com as mesmas características 19,90€. Ora este é apenas um exemplo, porque no procedimento de 90 páginas que tenho que agregar, existem muitas situações idênticas. Estando o País a necessitar de poupar muito dinheiro, não acha o Senhor Ministro, esta situação surreal?
Com os melhores cumprimentos.
Maria Teresa Rosa dos Santos Barquinha”

18 comentários:

  1. Com o é possível que uma Central de Compras consiga piores preços do que qualquer cidadão no supermercado?????????? Chega a ser anedota.

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  2. 59.33 euros por uma pen de 32Gb???
    mas a quem o Ministério das Finanças está a "encher os bolsos"???

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    1. Talvez não seja no Ministério das Finanças. Pergunte antes: como se admite que o leilão electrónico acabe por ser viciado pelos fornecedores que agravam as margens como contrapartida do risco de pagamento tardio?

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    2. Aos fornecedores das pens, que assim se compensam do pagamento tardio

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  3. "Concursos Públicos" no seu melhor!...
    E nomes? Responsáveis, não aparecem?!

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  4. Já agora gostava de saber de quem é a empresa que vende para essa famosa "central de compras"???? deve de pertencer a algum primo, tio, avô ou sei lá ou quê de algum governante.....o famoso tacho.

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  5. Estes preços são inflacionados porque quem vende sabe que vai receber tarde, então praticam estes preços para não "serem chateados" por mau pagador, mas se "pega", como é o caso, engorda-se o bolso mesmo sabendo que um dia vão receber (é uma espécie de juros), digo eu, não sei

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  6. Descontem o que fôr preciso a este desabafo de um ignorante, que sou eu: então e ninguém participa esse pormenorzito da diferença de preço, neste caso que deve ser apenas mais um mero exemplo do que por aí anda, ao Ministério Público para que este trate de investigar tão estranha realidade?...
    É que nós, anónimos e desprotegidos cidadãos perante o fisco, é que estamos a pagar estas bandalheiras todas...

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  7. 'beirão'
    Não posso estar mais de acordo com a chamada de atenção desta cidadã para o desperdício do Estado no que toca à aquisição de bens e serviços, que, tudo somado, dará fartos milhares, ou mesmso milhões, de euros.
    Ponha o ministro das Finanças, e, em suma, todos os responsáveis políticos, os olhos neste e noutros alertas dos cidadãos que, como se sabe, estão cada vez mais empobrecidos, enquanto outros - os tais, por exempolo, que 'enganam' o Estado, como no caso presente - enchem os bolsos à fartazana.

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  8. Esta é fácil: os preços no mercado variam mais depressa do que são feitas as actualizações na base de dados em causa.
    Mais do que duvidoso, é ridículo atribuir a culpa disto ao ministro ou a um ministro - qualquer que seja o ministro frise-se bem! deste ou doutro governo - que não tem por função andar a actualizar bases de dados de bens de economato...
    No entanto a coisa já pia mais fino, se pensarmos que o que não há falta no ministério da educação é de funcionários!... Não há para lá ninguém com brio suficiente para actualizar a base de dados e poupar dinheiro aos contribuintes?
    AM

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  9. http://www.worten.pt/store/catalogsearch/result/?q=pen+32gb

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  10. Caro anónimo das 21:45
    Certamente que aqui a personificação no ministro das finanças será uma mera figura de retórica que se justificará, contudo, no facto de ele ser o patrão da nau, usando outra figura de retórica...
    O que naturalmente todos devemos esperar e exigir, chegando a denúncia ao lugar certo, é que os serviços competentes de que o senhor ministro é a cúpula, tratem de tomar medidas para combater uma situação que é manifestamente atentatória da defesa dos interesses públicos. De resto e recorrendo mais uma vez à metáfora, por alguma razão, em toda a parte, o comandante é sempre o primeiro e maior responsável pela tripulação do navio...

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  11. Infelizmente este site, em vez de explicar o que é uma ESPAP ou um acordo quadro, admite a completa desinformação que se vê nestes comentários, com Ministros, polícias, "tios","bases de dados" etc. ao barulho.
    Infelizmente tb, não vou ser eu a explicar uma área que tantos anos demorei a formar, mas peço pelo menos aos comentadores (e donos do sítio) terem a mínima noção do que é dito e como funcionam as contratações ao abrigo de acordos quadro.
    É que isto de mandar bujardas para o ar é facílimo, já saber fazer e analisar um concurso público ou limitado por prévia qualificação sobre bens de economato é ligeiramente mais difícil e não é explicado nos programas da manhã.

    Fiquem então desinformados se assim vos convém, tornando uma denúncia legítima sobre um problema concreto (embora a consulta a um acordo quadro normalmente origine preços mais baixos dos do catálogo) num centro de insinuações e teorias da conspiração.

    O problema é que vejo isto em tantos, mas tantos posts que nem sei o que diga.

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  12. O que se passa é o seguinte: O supermercado recebe o dinheiro imediatamente. O fornecedor que vende à Central de Compras recebe a 1 ano ou mais... Só isso, de certeza!

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  13. O caso da Central de Compras ou mais precisamente ESPAP daria um bom caso de estudo. Por obrigação legal, a entidade para qual trabalho tem que recorrer aos acordos que essa entidade fez e em alguns casos o que acontece é surreal..

    Não questiono a forma como as empresas são seleccionadas a fazer parte da central de compras, pois é feito através de concurso público em DRE. A questão é o controle que depois é feito a essas emresas, que não existe. Elas fazem o que querem.

    1 - São obrigadas sempre a responder, mas vulgarmente não o fazem, pois não querem cumprir com o preço que deram aquando da sua seriação.

    2 - Os equipamentos (nomeadamente infrmática) estão desatualizados, alguns deles já nem se comercializam.

    3 - Os preços muitas vezes estão inflaccionados, e a entidade gestora até nem se preocupa, pois como vai cobrar 1% de cada venda, quanto maior for o valor melhor para ela. É o estado a lucrar com o estado...

    4 - A legislação prevê que caso uma entidade pretenda adquiririr um bem que não esteja na central tem que pedir excepção. Até há uns tempos esses pedidos, eram avaliados com algum rigor, mas a partir que a autorização passou para uma Secretaria de Estado tem sido tudo autorizado. Existem entidades que pedem excepção para comprar fora da central, e a um preço superior (caso papel A4), e o pedido é autorizado. Sei isto, pois quando efetuo um pedido de excepção, a resposta trás sempre incluído vários pedidos feitos por outras entidades.

    Em relação à atualização dos preços, a mesma não é possível, pois o Estado abriu os concursos há uns 2 a 3 anos, e as empresas têm que garantir os preços que apresentaram.O que em alguns casos, tem sido muito vantajoso para as empresas.

    Há-de chegar o dia em que o Tribunal de contas analisará esta pseudo-poupança, até lá o orçamento da ESPAP agradece.

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  14. Já trabalhei na função pública e sempre que era necessário adquirir material de economato ou informático, o procedimento tinha obrigatoriamente de passar pela central de compras. Sobretudo no que toca ao material informático, as diferenças de preço são chocantes, quase o dobro. O problema é que com esses fornecedores, o Estado paga a 30 e a 60 dias, enquanto que em outras lojas, o pagamento é imediato e para ser feito, tem de ser tirado da caixa. Claro que demorando o Estado 1,2,3 e mais meses a pagar ninharias, os fornecedores aproveitam e duplicam e triplicam preços. O problema está no sistema e no facto de o Estado ser mau pagador (mas depois não se coibe de exigir os pagamentos aos contribuintes na hora, caso contrário levamos com juros). A história é a mesma e nada muda.

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  15. Ao cidadão anónimo não interessa saber o que é uma ESPAP ou um acordo-quadro nem interessa saber como funcionam as contratações nesse regime. Ao cidadão anónimo/contribuinte incomoda que o seu dinheiro esteja a ser mal administrado nas aquisições do economato, pagando-se x por aquilo que poderia ser adquirido por x menos y, ao cidadão anónimo/contribuinte interessa que o Estado consiga em cada momento e em cada negociação o melhor preço. Se a tal ESPAP e os tais acordos-quadro não são capazes de garantir esse objectivo básico, mudem-se as regras da contratação ou acabem-se de vez com a ESPAP e os acordos-quadro e criem-se instrumentos capazes de garantir o objectivo do melhor preço nas aquisições de bens por parte de entidades públicas. Tão simples como isso era a defesa do interesse público, afrontando os costumeiros paliativos e emperros da administração pública que temos e os defensores de esquemas que, sabe-se lá porquê, rapidamente se revelam incompetentes, ineficazes ou mesmo espúrios. Houvesse empenho em defender realmente o interesse público e as experiências fracassadas seriam rapidamente corrigidas e as meras peias burocráticas ou contratuais ultrapassadas em nome dos superiores interesses do estado e dos contribuintes. Como, aliás, o Estado, leia-se o governo, tão convictamente tem feitos nos últimos tempos em relação aos mesmos (indefesos) contribuintes...

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  16. Caros
    O economato e comprado num pacote de cerca de 497 artigos diferentes, pode ser que apenas as pens tenham saído mais caro.
    Estou curioso relativamente ao facto de ninguém comentar as compras das escolas feitas sempre ao mesmo fornecedor desde 1755.
    Nem vou falar dos toner e dos tinteiros e do papel.
    Para terem uma ideia o ministério compras a resma de papel a cerca de 1,89€ as escolas andavam a comprar a loja da esquina, desde o tratado de Zamora a mais 2,40€, mas disso ninguém fala.
    Já agora seria interessante ver a quantidade de papelarias que abriam perto das escolas, e já agora de quem eram.
    Percebo o desespero de alguns, que grande massada ter que consultar pelo menos 8 empresas para ter uma proposta, antigamente era mais fácil, ia ao boteco do sempre comprar o que fosse ao preço que fosse.
    Dava jeito, especialmente no natal.
    Já agora isto interessava ao cidadão anónimo.

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