quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O caso do material de golfe do Banco de Portugal



Na semana passada o Má Despesa escreveu que o Banco de Portugal tinha comprado material de golfe por cinco mil euros. Passado uns dias, o caso chegou às páginas do jornal i. Após a publicação dessa notícia, o banco emitiu um comunicado em que esclarecia que, na verdade, se trataria de “um carro eléctrico, que é utilizado no centro de formação do Banco de Portugal essencialmente para o transporte de pessoas com dificuldades de locomoção”. Leia o excerto do comunicado:

«O jornal I publicou na sua edição de hoje uma notícia, com destaque de primeira página e sob o título “Banco de Portugal gastou 5 mil euros em material de golfe”, que merece o seguinte esclarecimento:
1.O equipamento em causa, adquirido em Setembro de 2010, não serve nenhum propósito relacionado com aquela modalidade, pois o Banco de Portugal não possui qualquer campo de golfe.
2.Trata-se, isso sim, de um carro eléctrico, que é utilizado no centro de formação do Banco de Portugal essencialmente para o transporte de pessoas com dificuldades de locomoção, permitindo a sua deslocação entre as instalações destinadas à formação e reuniões e a cantina, que se situam em edifícios distintos.»

No seguimento deste comunicado, o Má Despesa endereçou as seguintes seis questões ao Banco de Portugal. Aguardamos resposta, que partilharemos com os leitores:

1. Onde é que se encontra localizado esse carro de golfe? Encontra-se localizado numa zona de acesso ao público?
2. Existe alguma relação entre o orçamento do Banco de Portugal e o grupo de golfe do Grupo Desportivo do Banco de Portugal? Existe alguma contribuição líquida do orçamento da instituição para este tipo de modalidade?
3. Foram detectados ajustes directos na ordem das centenas de milhares de euros dedicados a actividades turísticas. Quais as justificações para estas despesas?
4. Por várias vezes foram detectados ajustes directos de carros para o Banco de Portugal. Qual é a actual frota automóvel do Banco? Quais os critérios para a atribuição de veículos a funcionários?
5. O Banco gastou 10 mil euros na compra de uma obra da artista Fernanda Fragateiro. Esta obra está colocada num local de acesso ao público em geral?
6. O Banco tem 15 edifícios situados em 12 localidades. Mesmo assim, porque optam por realizar eventos em hotéis de luxo? Qual o orçamento anual alocado a eventos?

Ontem foi conhecido que o Banco de Portugal possui uma quinta com cavalos para os seus funcionários.

4 comentários:

  1. A apresentação da explicação do Banco de Portugal para a referida aquisição, a que Má Despesa dá o devido relevo neste post, credibiliza, sem dúvida, este blogue na sua função de serviço público. Louve-se, igualmente, a tentativa de obter do Banco de Portugal esclarecimentos adicionais sobre este assunto bem como sobre outras despesas. Pena que a comunicação social, em geral, não pratique como regra a investigação séria e prefira, tantas vezes, publicar artigos de opinião, sem bases sólidas em factos comprovados, como se de verdadeiras notícias se tratasse. Oxalá este blogue possa contribuir para colmatar essa lacuna!

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  2. Antes de mais, parabéns pelo Blog. Autêntico serviço público. Quero aproveitar a oportunidade para sugerir que verifiquem o resultado das organizações do estado (especificamente as escolas), serem obrigadas a comprar tudo na Central de Compras do Estado! Posso deixa como exemplo que a escola onde trabalho que duplicou os custos referentes à empresa de limpeza, pelo facto de ter sido obrigada a contratar o serviço na Central de Compras! E a qualidade do material escolar? Inacreditável! Só vendo!

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    1. Isto eu posso confirmar, a qualidade dos materiais é de fugir.....

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