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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Lembra-se da Casa do Cinema que nunca foi usada? Está à venda


A Câmara do Porto vai vender a Casa Manoel de Oliveira, na Foz. O valor base de licitação da primeira fracção é de 568.800 euros e da segunda é de pouco mais de um milhão de euros. Esta parece ser a última etapa de uma novela, que esteve em destaque no Má Despesa Pública, tanto no blogue como o livro “Má Despesa Pública” (Aletheia). Mas poderá não acabar aqui. Está prometida uma nova Casa do Cinema Manoel de Oliveira, a ser instalada em Serralves, com projecto do arquitecto Álvaro Siza Vieira. Recorde aqui todo o drama em torno de uma história que tinha tudo, incluído dinheiros públicos, para já ter chegado ao fim.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Elefantes Brancos (2): A Casa do Cinema que nunca foi usada


I
“O arquitecto fez uma obra bonita, mas esqueceu-se da sala de projecções” foi um comentário do realizador Manoel de Oliveira, na primeira visita efectuada à Casa do Cinema. Foi construída na Foz, entre 1998 e 2003, segundo projecto do arquitecto Souto Moura, no âmbito da Capital Europeia da Cultura - Porto 2001, e terminada com 2 anos de atraso. Com um custo inicial de 750 mil euros, é propriedade do município desde então. Após 8 anos permanece por inaugurar.

II
A história da Casa do Cinema vem do interesse do município em reunir o espólio do centenário cineasta num centro de documentação. Fitas, prémios e demais património cultural, propriedade de Manoel de Oliveira, seriam assim conservados num edifício público criado para tal.
O projecto, premiado e documentado, não respondeu porém ao programa. Dificuldades de diálogo ou problemas financeiros, as desculpas sucederam-se desde então perante os erros acumulados.
O acervo cedido pelo cineasta foi colocado, provisoriamente, num apartamento alugado pela CMP, para a sua catalogação. Desde 2005 a renda deixou de ser paga pelo município e passou a ser o realizador a custear a sua conservação.

III
Quanto ao edifico, permanece fechado e sem uso desde então. Construído numa zona residencial da Foz, situa-se escondido e isolado no centro do lote. Sem sinalética ou informação quanto à sua localização, é hoje apenas lugar de romaria arquitectónica, com claros sinais de degradação e vandalismo no exterior.
Para evitar mais degradação a Câmara Municipal do Porto propôs, em 2007, acolher na casa alguns serviços municipais, após algumas obras de remodelação. Os sinais de abandono permanecem inalterados.
O realizador homenageado recusou, em 2011, receber a “Chave da Cidade” no seu 100º aniversário. Argumentou a recusa pelos anos de “comportamento incorrecto” do município para com o seu espólio e para com a Casa do Cinema que nunca o acolheu.

Manuel Rodrigues

Fontes:
DN – Diário de Noticias 02.02.2007, JN – Jornal de Notícias 03.08.2007 e
TVI 31.03.2011

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terça-feira, 26 de abril de 2011

Casa Manoel de Oliveira degradada antes de abrir

Manoel de Oliveira vai dar nome a uma sala de cinema no Cinema São Jorge, em Lisboa. Entretanto, no Porto, a Casa do Cinema, desenhada por Souto Moura econstruída com dinheiro público para albergar o acervo do cineasta, continua vazia. (A notícia do DN é de 2007, mas continua muito actual)