Como sabem os nossos leitores, os municípios e freguesias deste país são viciados em "oferecer" almoços temáticos aos seus eleitores, fiéis à lógica da política do pão e circo da Roma antiga. Ora vejamos mais dois exemplos. O município de Campo Maior (vila do distrito de Portalegre com menos de 9 mil habitantes e em que muitos deles recebem assistência médica em Badajoz/Espanha) realizou, no dia 31 de Outubro, o "almoço dos maiores/2015" pelo preço de 13.125,00 € (+IVA). "Este almoço, que se celebrou na Herdade das Argamassas, foi o culminar de uma semana totalmente dedicada aos maiores de Campo Maior com várias atividades especialmente preparadas para eles", lê-se no site da câmara municipal . No dia 6 de Novembro foi a vez de Rio Maior (cidade do distrito de Santarém com cerca de 21 mil habitantes) que, no âmbito das celebrações do feriado municipal, realizou o XX encontro de idosos do concelho, com direito a almoço pelo preço de 12.220,00 € (+IVA). Antes do almoço não faltou a clássica entrega de medalhas, homenagens várias, bem como a "missa por Alma dos Riomaiorense falecidos", lê-se no jornal Tinta Fresca. E assim (não) se faz política no país que é o terceiro pior da Europa ocidental em bem-estar dos idosos.
Blogue sobre advocacy em transparência e eficiência da gestão pública. E-mail: madespesapublica@gmail.com
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segunda-feira, 16 de novembro de 2015
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Mais almoços paliativos
Nada como vir ao Má Despesa para, por momentos, julgarmos que vivemos desafogados. É só mais um exemplo. No passado dia 14 de Setembro, a poucos dias das eleições, o município de Campo Maior (8.456 habitantes) promoveu um convívio dirigido aos reformados do concelho. Segundo o semanário Linha de Elvas, "música e gastronomia ao som das saias foram a tónica dominante da iniciativa." Só o almoço custou mais de 12.500 euros (12.520,33 €).
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
5 casos de má despesa pública nas autarquias
Este artigo publicado no Dinheiro Vivo resume o propósito do livro "Má Despesa Pública nas Autarquias" que acaba de chegar às livrarias. É uma viagem ao país real.
«Onde se gasta o dinheiro público? A leitura de Má Despesa Pública nas Autarquias, de Bárbara Rosa e Rui Oliveira Marques, dá uma ajuda a perceber. Os autores já tinham levantado a ponta do véu do despesismo público o ano passado com o livro Má Despesa Pública, mas agora focam-se na forma como as autarquias investem o dinheiro dos contribuintes. O resultado não é tranquilizador. "Encontramos exemplos caricatos e outros perigosos sobre a forma como as autarquias gastam o dinheiro", adianta Rui Oliveira Marques.
Com edição da Alethêia, e prefácio de Paulo Morais ("voz que tem denunciado situações de corrupção em Portugal e, no caso das autarquias, nos departamentos de urnbanismo onde se centram todos os interesses"), a obra não pretende dizer aos eleitores como votar nas futuras eleições autárquicas. Mas pode funcionar como uma ferramenta para um maior escrutínio sobre a forma como o dinheiro público está a ser usado naquela que pode ser a sua autarquia.
Os casos espelhados em cerca de 200 páginas - e com base em fontes oficiais como o Tribunal de Contas e o BASE - Portal dos Contratos Públicos - revelam "projetos megalómanos", alguns dos quais nunca chegaram a sair do papel (mas onde se gastou dinheiro), e que o fenómeno das Parcerias Público-Privadas (PPP) não é exclusivo do Governo central. Há para todos os gostos: até para construir campos de futebol com relva sintética.
1. Aeroportos regionais prontos para receber Airbus
Construir aeroportos regionais é uma ambição para algumas autarquias nacionais. Em Ponte de Sor, Covilhã e Castelo Branco o desejo levou ao projeto de receber, em alguns casos, aviões tipo Airbus A320 e Boeing 737 que podem transportar entre 120 a 180 passageiros. Para isso, a autarquia de Ponte de Sor já gastou cerca de oito milhões de euros.
2. Cidades do cinema que são um verdadeiro filme
Portimão, Barreiro e Cascais são três autarquias que sonhavam em ter uma cidade do cinema no seu território, mas na maioria dos casos o filme nunca passou da fase do argumento. Na autarquia algarvia (talvez o caso mais mediatizado) o projeto de uma cidade do cinema tinham como caras o ator Joaquim de Almeida, a vice-presidente da CBS Lyn Fero e o presidente da CM Portimão, Manuel da Luz. O projeto foi apresentado em 2009, prometido um investimento de 3 mil milhões de euros, a criação de sete mil postos de trabalho, 11 estúdios, dois deles já a funcionar em 2010. O projeto que teria um custo de 200 milhões de euros seria complementado com o Media Park. Custo? 550 millhões.
Até agora o mega empreendimento "liderado por uma holding internacional" resultou apenas na construção do Portimão Arena. O desenvolvimento do cluster de cinema de Portimão está agora nas mãos da empresa municipal Portimão Urbis. Gastos? "Quarenta e três mil euros em consultadoria, 65 mil euros para procurar/sócios para o cluster de cinema, 127 mil euros para consultadoria fiscal e 34 980 euros para criar um livro e uma brochura do Plano de Negócios e Estúdio de Cinema de Portimão".
3. PPP para todos os gostos
Não foi apenas o Governo central a aderir às Parcerias Público-Privadas. A euforia das PPP também entusiasmou autarquias como Oeiras e Campo Maior e serviu para construir desde escolas e centros de congressos a piscinas.
Por 81 milhões de euros, a Câmara de Oeiras queria construir um centro de congressos, um de formação profissional, duas escolas e dois centros geriátricos. Foram criadas duas empresas onde a Câmara tinha 49% do capital, a OeirasExpo SA (para o centro de congressos e o de formação) e Oeiras Primus SA (escolas e centros geriátricos), ficando o restante capital nas mãos de privados. Em 2009 iniciou-se a construção dos seis equipamentos abrangidos pelas duas PPP em terrenos municipais "sem que as sociedades tivessem previamente adquirido (a título oneroso) correspondentes direitos de superfície e obtido as adequadas licenças de construção", relata o Tribunal de Contas.
As obras derraparam e no início de 2012 as dívidas da OeirasExpo e da OeirasPrimus aos empreiteiros ascendiam a 30 milhões . Mais, em fevereiro "nenhuma das sociedades tinha pago os empréstimos de curto prazo antes contratados nem o valor dos direitos de superfície prometidos adquirir ao município em execução do acordado nas parcerias", continua o Tribunal de Contas.
4. Concertos que são tudo menos gratuitos
Em Lisboa, a Câmara promoveu dois concertos gratuitos com Sérgio Godinho e Mariza em junho e outubro do ano passado. Os espectáculos foram de acesso gratuito para o público, mas custaram aos cofres da Câmara 47 mil e 28 mil euros, respetivamente.
Já a Câmara de Almada gastou 24,5 mil euros no concerto das comemorações do 39º aniversário do 25 de abril, valor a que se junta mais 20,3 mil euros para o fogo de artifício e 10 mil euros para promover na TV a nível nacional a festa local.
5. E sai mais um Centro Cultural
A ilha de São Miguel arrisca-se a ser a região do mundo "com maior número de equipamentos culturais por metro quadrado", considera o Má Despesa Pública nas Autarquias. "Depois dos projectos dos museus de arte contemporânea, um da responsabilidade do governo regional e outro da Câmara de Ponta Delgada, o mesmo município vai gastar 400 mil euros para a construção do Centro Cultural de Fenais da Luz. Esta freguesia tem 1962 habitantes."», artigo publicado no Dinheiro Vivo.
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Obras à portuguesa (7): As piscinas de milhões de euros
A Câmara de Braga abandonou o projecto de construção de uma piscina olímpica na cidade. A obra já custou oito milhões de euros, mas os responsáveis admitem que não há condições para a concluir. E porquê? A segunda fase do investimento impunha um financiamento de 12 milhões de euros que a autarquia agora não consegue atrair. A primeira fase da construção terminou em finais de 2008, mas desde então a estrutura está abandonada. (Fonte: Público)
Mas há mais no país das piscinas. Em Campo Maior, a autarquia decidiu construir um complexo de piscinas cobertas, numa parceria público-privada com a empresa MRG. A obra custou quatro milhões, mas a autarquia vai pagar um total de 12 milhões de euros. A Câmara diz agora que não tem dinheiro para pagar a obra. A MRG concordou em aumentar a duração do contrato para 30 anos, de forma a diminuir o valor anual a pagar. (fonte: Sol, 27 de Janeiro).
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