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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Inspecção-geral das Finanças contrata segurança às prestações



A Inspecção-geral das Finanças anda a celebrar ajustes directos sucessivos com a mesma empresa de segurança, optando por não convocar um concurso público. Como se não chegasse, o mais recente ajuste directo relativo à vigilância e segurança entre os meses de Janeiro e Junho foi apenas celebrado em Maio e publicado no portal Base em Junho. O mesmo atraso foi registado em 2017. 

- Aquisição de serviços de vigilância e segurança de Janeiro a Junho 2018: 44.219,82 € 

- Aquisição de serviços de vigilância e segurança celebrado em Novembro de 2017 mas “com efeitos retroactivos desde 01 de Abril de 2017”: 66.329,73 € 

- Serviços de vigilância e segurança. Celebrado em Março de 2017 e válido por três meses: 22.109,91 €








sexta-feira, 8 de junho de 2018

Fundo Ambiental: Mais despesa à margem da lei?



Sabia que existe um Fundo Ambiental, criado pelo  Decreto-Lei n.º 42-A/2016, de 12.08, que "tem por finalidade apoiar políticas ambientais para a prossecução dos objetivos do desenvolvimento sustentável, contribuindo para o cumprimento dos objetivos e compromissos nacionais e internacionais, designadamente os relativos às alterações climáticas, aos recursos hídricos, aos resíduos e à conservação da natureza e biodiversidade, financiando entidades, atividades ou projetos"? Pelos vistos, é mais um Fundo que serve para pagar despesas à margem da lei aplicável, em especial o Código dos Contratos Públicos (CCP). Ora vejamos, a título de exemplo, os seguintes ajustes directos disponíveis no portal Base:

  • 78.800,40 € (+IVA) em refeições "para 24 (vinte e quatro) militares – Intervenção na albufeira de Pêgo do Altar e Divor";
  • 70.754,72 € (+IVA) em "serviços de alojamento para 24 (vinte e quatro) militares – Intervenção na albufeira de Pêgo do Altar".
Ora, segundo o CCP, para os ajustes directos de aquisição de bens e serviços superiores a 20 mil euros e inferiores a 75 mil é obrigatório o convite a pelo menos três entidades (art.º20.º), requisito legal não cumprido pelo Fundo Ambiental, atendendo à informação publicada no portal Base ( a qual nem sequer contém os respectivos contratos). É só mais um não exemplo em matéria de rigor na contratação pública, portanto. 

segunda-feira, 4 de junho de 2018

O (eterno) caso de polícia da Associação Comercial e Industrial de Barcelos



A Associação Comercial e Industrial de Barcelos (ACIB) está em situação irregular perante o Estado há 7 anos (não entrega a contabilidade desde 2011) mas continua a ter estatuto de utilidade pública, e este ano já recebeu 700 mil euros de subsídios. A denúncia é do programa Sexta às 9 (aqui) que expõe uma teia de fraudes de uma associação que nos últimos 10 anos recebeu mais de 40 milhões de euros de fundos públicos. 
Em 2016 foram feitas várias auditorias de urgência à ACIB e todas identificaram ilegalidades. O Instituto de Emprego revelou que houve sobre-facturação, salários ilegítimos do presidente, João Albuquerque, e contratos de aluguer desvantajosos para o Estado. Há alunos que receberam certificados de formação de cursos que não frequentaram. A ACIB está sob investigação judicial desde 2016 mas até à data não há um único arguido constituído. Porque será?

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Banco de Portugal, para que servem estes autocarros?



O Banco de Portugal, essa entidade sobejamente conhecida pela sua (in)eficiente supervisão do sistema bancário nacional, no passado dia 17 publicou dois ajustes directos (assinados no mesmo dia, a 26 de março) e à mesma entidade, sem qualquer menção às outras entidades supostamente consultadas (o Código dos Contratos Públicos exige consulta a tr~és entidades para valores superiores a 20 mil euros). Um ajuste no valor de 39.383,24 € (+IVA) e outro de 32.301,87 €.  O Má Despesa não conseguiu apurar o fim dos autocarros pois a informação contratual disponível não o permite (não está publicado o caderno de encargos, por exemplo). 

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A macacada dos ajustes directos na Sábado com o Má Despesa



"Ajustes directos. A lei que é demasiado fácil ignorar" é o mote para um profunda análise aos ajustes directos, da autoria da jornalista Maria Henrique Espada, publicada ao longo de cinco páginas na edição da semana passada da revista Sábado - semana em que foi assinalado o 7.º aniversário desta casa. A jornalista analisou inúmeros casos aqui publicados, entrevistou os autores do Má Despesa e contactou muitas das entidades visadas pelo blogue. Concluiu que, regra geral, nada acontece para as "abundantes e escancaradas falhas e irregularidades" encontradas nos contratos publicados no portal BASE. "Houve um erro, é a justificação mais comum" dada pelos prevaricadores do Código dos Contratos Públicos. A reportagem constitui um bom retrato de Portugal enquanto "República das bananas" no que à gestão dos recursos públicos diz respeito. 




sexta-feira, 16 de março de 2018

O novo Código dos Contratos Públicos (também) é violentado



A 1 de Janeiro de 2018, entrou em vigor o resultado de mais uma alteração ao Código dos Contratos Públicos (diploma em vigor desde 2008). De entre as dezenas de alterações introduzidas, o Má Despesa ficou logo muito curioso sobre a aplicação dos novos limites de valor do ajuste directo: 20 mil euros para aquisição de bens e serviços, e 30 mil euros para empreitadas de obras públicas. A partir destes valores e até aos limites gerais antigos de 75 mil euros (bens e serviços) e 150 mil euros (obras), é obrigatória a consulta prévia a, pelo menos, três entidades. A adaptação a estes novos limites previa-se complicada no universo das entidades públicas e a União das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas constitui um bom pequeno exemplo. Ontem aquela Junta publicou um contrato (assinado no dia 24 de Janeiro deste ano) para uma empreitada de recuperação de calçada" pelo valor de 50 mil euros (+IVA), não mencionado as entidades contactadas em sede de consulta prévia. Além disso, adoptou como fundamentação o preceito que expressamente refere que o ajuste directo para empreitadas de obras públicas só é admissível quando o valor do contrato é inferior a 30 mil euros (al.-d do art.19.º do Código dos Contratos Públicos). Confusos? A Junta também. 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A família de Santa Marta de Penaguião II



Um leitor enviou-nos o seguinte alerta:
"O executivo de Santa Marta de Penaguião foi reeleito com maioria reforçada. E a maioria reforçada correspondem negócios melhorados. Em Fevereiro abordaram [o Má Despesa] um contrato feito com um familiar do Presidente. Agora foi feito contrato semelhante por valor superior." O novo contrato, celebrado pelo município no dia 27 de Setembro com José Mesquita, Ldª, tem o valor de 19.200,00 € (+IVA). 

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

69.600€: o preço certo da Junta da Estrela



Em meados de Julho alertámos para a falta de transparência e violação do Código dos Contratos Públicos (CCP) por parte da Junta lisboeta da Estrela, e agora fomos espreitar o portal BASE para ver se algo tinha mudado e descobrimos algumas curiosidades.Ora vejamos:
  •  69.600,00€ parece ser o preço certo de certas empreitadas adjudicadas pela junta, visto que só num dia foram publicados 5 ajustes directos com esse montante exacto, envolvendo apenas 2 empresas, a CRESDECOR – CONSTRUÇÕES, LDA e a Fórmula Feltro - Construções e Design, Unipessoal, Lda.
  • Esses contratos foram todos publicados no dia 4 de Setembro deste ano, apesar de terem sido celebrados entre 2014 e 2016, inclusive.
O presidente reeleito da Junta, Luís Newton (PSD), que é bem conhecido pela comunicação social e até pelo Ministério Público (ao que se sabe, no caso das viagens de políticos a convite da Huawei), "quando foi questionado, em fevereiro, numa reunião da Assembleia de Freguesia sobre a razão de não serem publicitados tantos contratos por ajuste direto, o presidente da Junta de Freguesia da Estrela culpou a lei e o site Base.gov. Esta segunda-feira, em resposta ao Observador, Luís Newton voltou a fazê-lo: como são ajustes diretos inferiores a 5 mil euros, não são publicitados pelo site governamental", noticiava o jornal Observador  no final do mês de Julho. Como se constata, Newton lá terá tido um problema de memória no dia em que falou aos jornalistas, visto que aqueles cinco contratos do "preço certo" estavam na gaveta na altura das declarações do presidente da junta (a"amnésia" de Newton também foi identificada pelo jornal).  
O Má Despesa só espera que este caso dos ajustes directos de "preço certo" não configure mais um conhecido episódio de negócios entre a junta da Estrela e empresas de militantes do PSD.

NB: A Junta da Estrela é muito fértil em "curiosidades", sendo a última relativa ao aparente uso da carrinha da Junta para transportar eleitores na freguesia de Alcântara nas últimas eleições autárquicas, sabendo-se que o então candidato do PSD em Alcântara também era assessor do presidente da Junta da Estrela (mais info aqui).

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

" A crise acabou no Banco de Portugal"


O título é da revista Sábado e o conteúdo é do Má Despesa. Está em causa o texto do dia 4 de Setembro sobre alguns ajustes directos da instituição que tem lugar cativo por estas bandas, o Banco de Portugal. 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Ourém: Câmara até os autocarros paga para a vinda do Papa

 
 
44.842,00 € (+IVA) é o valor publicado até à data pelo município de Ourém para "aluguer de autocarros para efetuar os transfers, a realizar, em Fátima, entre os dias 11 e 14 de Maio, para as comemorações do Centenário das Aparições".  O Má Despesa gostaria de saber mais pormenores sobre este ajuste directo mas a autarquia optou por não reduzir o contrato a escrito.
 
Sobre Ourém/Fátima/Papa convém relembrar que à boleia da visita do Papa Francisco, o Governo criou um regime excepcional de despesa (só para a administração central e município de Ourém), à luz do qual o limite de empreitadas sem concurso público sobe de 150 mil euros para 5,1 milhões, e de 75 mil para 207 mil euros, no caso de bens e serviços. E assim se permite um santo regabofe no uso do dinheiro público.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Má Despesa a dar que falar





Esta semana o Má Despesa Pública tem aparição dupla na Sábado. O post de segunda-feira relativo aos guarda-chuvas adquiridos pelo município de Loures não passou despercebido à revista semanal. O outro caso, apesar de não ter sido relatado pelo Má Despesa, assume especial relevância por estas bandas. 





Está em causa a "combinação curiosa que se verifica em Ourém: o presidente da câmara municipal, Paulo Fonseca, foi declarado insolvente - o Tribunal Constitucional recusou o seu último recurso - e, não obstante a possibilidade de perder, por isso, o mandato, tem ao seu dispor um decreto-lei que permite ao município fazer contratos pela via de ajuste directo por valores tão excepcionais quanto o próprio diploma: até 5,186 milhões de euros (ao invés dos 150.000 euros previstos na lei) no caso de empreitadas, e até 207.000 euros (no lugar dos habituais 75.000 euros) pela aquisição de bens e serviços." Segundo os tribunais, "ao presidente da Câmara de Ourém foram imputadas dívidas a nove entidades, no total de 4,64 milhões de euros. O maior credor de Paulo Fonseca é o BCP (1,3 milhões de euros). Seguem-se a Parvalorem (946.000 euros) e a Caixa Geral de Depósitos (890.000 euros)", lê-se na revista Sábado. Em bom rigor, todos os contribuintes são credores de Paulo Fonseca, via Caixa Geral de Depósitos e Parvalorem (ex- BPN). Também é assinalável o facto de algumas dívidas respeitarem a uma empresa de construção civil de Paulo Fonseca na altura em que foi governador civil de Santarém - nos tempos de José Sócrates, por sinal. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Beja gosta tanto de uma certa empresa que até ignora o Código dos Contratos Públicos





Nos dias 4 e 5 deste mês, a câmara municipal de Beja publicou dois ajustes directos à mesma empresa e com o mesmo objecto, a produção da RuralBeja de 2016. A soma dos dois ajustes directos ultrapassa largamente o limite legal de 75 mil euros para aquisição de serviços, visto que um foi de 60.000,00 €(+IVA) e o outro de 74.980,00 €(+IVA). Este facto despertou uma especial curiosidade ao Má Despesa e fomos tentar saber mais. Descobrimos que a empresa, NPimenta, Lda, tem sede em  Ponte de Lima e que o presidente da câmara, João Rocha, é natural de Viana do Castelo. Será escusado adiantar que, apesar de existirem mais empresas nacionais com o mesmo objecto social da NPimenta, não houve convite a outras entidades por parte da câmara de Beja- ao contrário do que preconiza o Código dos Contratos Públicos.  

Outras curiosidades do Presidente
João Rocha foi presidente da câmara de Serpa durante quase 33 anos - de 1979 a 2012. Sim, leu bem. Em 2010 foi protagonista de um caso polémico conhecido a nível nacional: a filha ganhou o concurso de recrutamento de um engenheiro civil para o município de Serpa. Além disso, o presidente do júri de selecção era primo da vencedora e o concurso foi feito e decidido em três dias (Fonte: Público).

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Oeiras no limite




A aquisições de bens e serviços de valor inferior a 75 mil euros pode ser celebrada via ajuste directo – a partir desse valor é obrigatório realizar um concurso público. Para empreitadas, as entidades públicas só podem recorrer a ajustes directos para valores até 150 mil euros. Por isso, com frequência deparamo-nos com ajustes directos em que não é contactada mais nenhuma empresa a não ser a entidade adjudicatária e que apresentam valores à beira do limite para que seja obrigatória a convocação de um concurso público. Exemplo disso é este ajuste directo no valor de 149.122,50 euros, da autarquia de Oeiras, para “reparações diversas no espaço público - Ilhas ecológicas”. 




segunda-feira, 2 de maio de 2016

Mais um contrato com o número do diabo


74.999,99 euros. É este o valor limite para celebrar um contrato via ajuste directo sem consultar mais que uma empresa. Desta vez o exemplo é da Câmara de Figueiró dos Vinhos que comprou gás propano por essa quantia. O contrato é límpido: “Aquisição de bens ‘Fornecimento de gás propano a granel’, até ao valor de 74.999,99 € + IVA”.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O catering escondido da Santa Casa



Esta semana a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) publicou um contrato para diversos tipos de catering para os seus  departamentos e serviços pelo preço de 11.000,00 € (+IVA). Curiosamente, em Fevereiro já tinha encomendado o mesmo serviço à mesma pessoa pelo preço de 28.775,00 € (+IVA). O Má Despesa espreitou este último contrato ( o outro nem foi reduzido a escrito) e constatou que estão em causa serviços prestados entre os dias 2 e 15 de Fevereiro de 2016. À boleia disto, o Má Despesa constatou que a SCML continua a padecer de um problema com o Código dos Contratos Públicos e a transparência. Ora vejamos simples exemplos :
  • No passado dia 1 de Abril foram publicados os ajustes directos do catering das festas de Natal de 2012 (do Centro de Medicina de Reabilitação do Alcoitão e "dos Hospitais"). Preço: 11.621,60 €(+IVA) e 12.850,00 €(+IVA), respectivamente.
  • No passado dia 11 foi publicado o ajuste directo para "serviços de catering para eventos" celebrado em Dezembro de 2013. Preço: 22.500,00 € (+IVA).
  • No passado dia 22 de Abril foi publicado o ajuste directo do catering da festa de Natal de 2014. Preço: 16.455,00 € (+IVA).

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Swaps da Metro de Lisboa (e não só): negócios e advogados dos deuses e dos diabos?



Em 25 de Junho de 3013, a então secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque (ela própria subscritora de swaps quando passou pela REFER), garantia aos deputados que o cancelamento de 69 contratos de swap assinados pelas empresas públicas fora conseguido sem custos para os contribuintes. Volvidos menos de dois anos, urge fazer algumas contas à decisão (tardia) do ex-governo. No início do mês passado, a comunicação social informava que o Estado já teria gasto pelo menos cinco milhões de euros em assessoria no caso dos swaps, altura em que se soube também que o Santander Totta tinha ganho a acção instaurada contra as empresas públicas de transportes. Neste caso, falamos de nove contratos swap, celebrados entre 2005 e 2007, pelas empresas Metro de Lisboa, Carris, Metro do Porto e STCP. Ontem, o jornal Público noticiava que "Neste momento, as empresas públicas (Metro de Lisboa, Carris, Metro do Porto e STCP) já têm em mãos uma ordem do tribunal de Londres a exigir que o pagamento dos 360 milhões seja feito até 22 de Abril. O pagamento dos 6,2 milhões de custas será rateado por cada uma delas, em função do valor de mercado dos swaps que subscreveram." 
Perante isto, o Má Despesa decidiu ir espreitar o portal dos contratos públicos- BASE- para ver as despesas publicadas pela Metro de Lisboa só para patrocínio judiciário na acção contra o Santander, tendo descoberto que esta empresa pública paga serviços de assessoria jurídica a uma sociedade portuguesa e a várias estrangeiras. Ora vejamos os valores dos ajustes directos à sociedade de advogados portuguesa, a Cardigos&Associados, publicados desde 10 de Março :
(Curiosamente, só o último contrato é que foi celebrado este ano. Os outros são de 2013, 2014 e 2015 mas só no mês passado viram a "luz do BASE". )

Vejamos agora algumas curiosidades sobre esta sociedade de advogados que foi escolhida pelo anterior Governo para assessorar as empresas públicas de transportes tuteladas pelo Ministério das Finanças:
  1. Em 2005 aconselhou empresas públicas a fazer contratos swaps; 
  2. Em 2012, e a pedido do Governo, emitiu um parecer jurídico a defender o recurso aos tribunais para cancelar os swaps, alegando que os contratos eram nulos por violação da lei (por falta do visto obrigatório do Tribunal de Contas e violação dos estatutos das empresas, sem esquecer a "falta de preparação dos gestores");
  3. É conhecida por defender um modelo de swaps, o ISDA (International Swaps and Derivates Association) que, neste caso, impõe a jurisdição inglesa ao Santander. 
Este último pormenor assume (ainda mais) relevância quando ontem ficámos a saber que o Ministério das Finanças recusa-se a cumprir a ordem de pagamento do tribunal por alegar que “esta sentença não é executável em Portugal, nos termos do quadro legal aplicável” (Fonte: Público). Ou seja, por tratar-se de uma sentença de um tribunal inglês. Conclusão: os swaps mostraram-se desastrosos, o recurso à via judicial também, e agora o Governo não aceita o modelo dos swaps subscritos. E, no meio disto tudo, há uma parte que ganha sempre (honorários) enquanto os milhões de euros dos portugueses vão ardendo a olhos vistos. Incompetentes? Apenas nós - aqueles que pagamos impostos em Portugal. 
 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Madalena: O que tem esta empresa de especial? Além de estar acusada de fraude fiscal qualificada



Madalena, vila açoriana da ilha do Pico, é sede de um concelho com cerca de 6 mil habitantes. A câmara municipal fez uns ajustes directos que despertaram a atenção do Má Despesa, atendendo aos valores e ao pormenor da empresa contratada, a AFAVIAS – Engenharia e Construção, SA, estar acusada da prática de crimes de fraude fiscal qualificada já depois de ter sido contratada (o processo judicial encontra-se em curso e a 1.ª audiência de julgamento ocorreu em Novembro de 2014, segundo o Diário de Notícias). Naturalmente, os contratos inserem-se no pantanoso domínio das empreitadas de obras públicas. Ora vejamos:
  • Num só dia, a 13 de Maio do ano passado, foram feitos dois ajustes directos à empresa cujo valor total ultrapassa o limite legal de 150 mil euros para as empreitadas de obras públicas (146.502,65 € + 61.490,00 €, fora IVA). 
  • Em Novembro foi-lhe adjudicada outra obra pelo valor de 87.488,35 € (+IVA).
Todos os contratos só foram publicados no final de Janeiro deste ano. 

O Má Despesa deseja que o Tribunal de Contas preste a devida atenção ao município de Madalena - e o Ministério Público também podia pensar nisso.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Como a Presidência da República anda há anos a esconder os contratos e ajustes directos dos cidadãos


A Presidência da República tem de publicitar os contratos públicos, seja no Base ou no site da instituição. Desde 2012 que este é um cavalo de batalha do Má Despesa Pública. Apenas queremos que seja cumprida a lei. Até o Tribunal de Contas já se pronunciou sobre o assunto. Chegados a 2016 e a poucas semanas do fim de mandato de Cavaco Silva, damos esta batalha por perdida. Aqui fica a cronologia dos factos. 

2011 – No site da Presidência da República existe uma secção chamada Contratos que nunca tem qualquer informação. A situação mantém-se durante meses. 

Março de 2012 – O Má Despesa promove um pedido de informação dirigido à Presidência, sublinhando que no site não é apresentada qualquer informação sobre como são gastos os 15 milhões transferidos pelo Orçamento de Estado. Apesar das insistências, nunca houve qualquer resposta. 

Julho de 2012 – Lançamento do livro “Má Despesa Pública”, onde a ocultação dos contratos por parte da Presidência da República foi analisada em pormenor. Em entrevistas e intervenções posteriores, os autores do livro e do blogue apontam esta situação como um caso paradigmático de falta de transparência por parte dos órgãos de soberania. 

Julho de 2012 – Após o lançamento do livro, a TVI24 decide pegar no assunto. “A omissão nota-se não só na página da Secretaria-Geral, mas também no portal BASE, que agrega todas as informações disponíveis sobre a contratação pública. (…). No entanto, a página dos contratos está em branco, ficando o cidadão sem saber em que é gasto especificamente o dinheiro”. Fonte da Presidência da República assegura que “em breve” os contratos serão publicados no site. Tal nunca aconteceu e passado algum tempo a secção Contratos desaparece do site da Presidência. 

Dezembro de 2012 – O Má Despesa elege Aníbal Cavaco Silva como Personalidade do Ano. A justificação de então: “O exemplo tem de vir de cima. A Presidência da República não publica os contratos e os ajustes directos no espaço reservado para esse efeito na página oficial da própria Presidência. Após a publicação do livro Má Despesa Pública, no qual esta questão é destacada, a TVI24 decidiu fazer uma reportagem sobre o assunto. Na altura, a Presidência garantiu que iria passar a disponibilizar essa informação aos cidadãos. Os meses passaram-se e nada foi feito. O PR nem no Facebook fala do assunto”. 

Abril de 2013 – O cartaz “PR publica as contas” aparece no meio de uma manifestação em frente ao Palácio de Belém. 

Junho de 2013 – “Duvido que outro país tenha mais transparência e escrutínio do que em Portugal”, diz Cavaco Silva. O Má Despesa recorda ao Presidente da República que isso não é verdade.

Outubro de 2013 - Mais uma vez o blogue Má Despesa refere o assunto. 

Junho de 2015 – A propósito do 10 de Junho, o Má Despesa recorda a Cavaco Silva a lacuna no acesso às despesas da Presidência.

Outubro 2015 – O Má Despesa apresenta aos candidatos a Belém a preocupação em relação ao assunto

Novembro de 2015 - O Tribunal de Contas recomenda à Presidência da República “que siga o princípio-regra da publicitação dos dados dos contratos públicos, nos termos previstos no CCP [Código dos Contratos Públicos], e só excepcionalmente, ponderadas as dimensões da transparência e da segurança, restrinja a publicitação de elementos que comprometam os aspectos de segurança subjacentes à escolha do, também excepcional, procedimento por ajuste directo." Encontra aqui o resumo da auditoria às contas da Presidência.

Dezembro de 2015Cavaco Silva volta a ser eleito Personalidade do Ano pelo Má Despesa Pública. “O Presidente da República teve presença cativa no Má Despesa Pública desde a sua fundação porque nunca se dignou a publicar qualquer contrato no portal Base como manda a lei. Depois das nossas consecutivas denúncias e pedidos de esclarecimento, a Presidência da República garantiu em 2012 à TVI que a situação iria ser corrigida. Até hoje. Como se não chegasse, o Tribunal de Contas teve de vir lembrar ao mais alto cargo da nação o óbvio: esses contratos têm de ver a luz do dia”, podia ler-se na justificação. 

Janeiro de 2016 – A Presidência da República, na reacção ao relatório do Tribunal de Contas, omite qualquer referência à necessidade de publicitar os contratos. 




quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Marinha, o que tem esta empresa de especial?



Um leitor alertou o Má Despesa para mais uma situação nebulosa de despesa pública. Pelo menos desde 2008, altura em que foi criado o portal dos contratos públicos-BASE, a Marinha todos os meses faz compras a uma empresa de nome Proskipper, Lda. Os ajustes directos vão desde a aquisição de motas de água, material de fardamento, e até contemplam a "formação para manutenção de equipamento de mergulho". Desde que há registo no portal BASE, a empresa já vendeu bens e serviços à Marinha, por ajuste directo, no valor global superior a 2,2 milhões de euros  (2.240.429,14 €). Aquela empresa de Oeiras, cujo site não contém informação, deve ter algo muito especial.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

As praças de Lisboa por ajuste directo


A autarquia de Lisboa decidiu entregar, por ajuste directo, o plano de arranjo urbanístico de vários largos e praças da cidade. Será que depois a adjudicação da obra vai seguir o mesmo método? Aqui vão os links com as praças e os contratos com os ateliers de arquitectura eleitos:
- Largo da Boa Hora à Ajuda (35 mil euros);
- Alameda Linhas de Torres (74.500 euros);
- Largo do Rio Seco (35.000 euros);
- Praça Humberto Derlgado (74.500 euros);
- Alameda do Beato (36.800 euros);
- Avenida da República (74 mil euros);
- Alameda Manuel Ricardo Espírito Santo (74.500 euros).