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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Viseu:Que relação -cultural- é esta?


A mais recente polémica viseense chegou aos jornais nacionais e prende-se com a atribuição de lojas, em pleno centro histórico, destinadas a "industrias criativas". Os imóveis em causa foram reabilitados pelo município com recurso a fundos comunitários. 
Na semana passada, a autarquia celebrou "protocolos de cooperação com sete artistas de Viseu e uma empresa de turismo cultural, tendo em vista a sua instalação na Incubadora de Indústrias Criativas do Centro Histórico de Viseu", lê-se no site institucional. Sucede que vários agentes culturais locais equacionaram os critérios de atribuição do espaço, reclamando falta de publicidade e transparência do processo por inexistência de concurso público, tendo sido redigida uma carta aberta dirigida ao edil viseense. O Má Despesa decidiu ir espreitar as "normas de admissão e utilização" do espaço e constatou que só são admissíveis candidaturas de empresas "que se encontrem em fase inicial de atividade (constituídas há menos de 18 meses)". Contudo, a empresa seleccionada para assinar o protocolo, a EON- Indústrias Criativas Ldª, foi criada em 10.08.2011 e  já ocupa o imóvel municipal desde Fevereiro de 2015. Não obstante, desde Junho de 2014 aquela empresa já facturou 1.443.732,83 € só a entidades públicas. Por tudo isto, o Má Despesa está muito curioso para saber porque razão a autarquia considera justificável continuar a atribuir recursos públicos a título gratuito (espaço físico mobilado, electricidade, internet, serviço de recepção, entre outros- Cfr art.10.º das normas de admissão e utilização) à EON. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

As relações perigosas do presidente do Instituto da Segurança Social




Lembra-se do caso de polícia relativo a desvio de fundos comunitários da Associação Industrial do Minho (AIMinho) denunciado aqui em Janeiro de 2017?  A associação está acusada pelo Ministério Público de ter desviado quase 10 milhões de euros de fundos comunitários -do Programa Operacional Potencial Humano (POPH) suportado pelo Fundo Social Europeu- destinados a financiar a formação em pequenas e médias empresas, num mega processo que envolve 126 arguidos. O último programa Sexta às 9 (RTP) mergulhou no despacho de acusação (a partir do minuto 12`42) e deparou-se  com uma complexa teia de relações de proximidade entre os principais dirigentes da AIMinho, governantes, banqueiros e altos dirigentes da Administração Pública, entre os quais o actual presidente do Instituto da Segurança Social (ISS), Rui Fiolhais. O presidente do ISS, não sendo arguido no processo, foi o gestor do POPH que assinou os contratos de delegação de competências/financiamento à AIMinho (entre 2008 e 2010) que estão na origem da fraude milionária. Na sequência da consulta do processo judicial,  o Sexta às 9 viu e-mails -comprometedores- entre Rui Fiolhais e altos dirigentes da AIMinho e questionou o dirigente público, tendo obtido resposta que é desmentida pelas provas constantes no processo. Como bem assinalam os jornalistas da RTP, Rui Fiolhais- enquanto presidente do ISS- gere uma das maiores fatias do orçamento de Estado. 



segunda-feira, 4 de junho de 2018

O (eterno) caso de polícia da Associação Comercial e Industrial de Barcelos



A Associação Comercial e Industrial de Barcelos (ACIB) está em situação irregular perante o Estado há 7 anos (não entrega a contabilidade desde 2011) mas continua a ter estatuto de utilidade pública, e este ano já recebeu 700 mil euros de subsídios. A denúncia é do programa Sexta às 9 (aqui) que expõe uma teia de fraudes de uma associação que nos últimos 10 anos recebeu mais de 40 milhões de euros de fundos públicos. 
Em 2016 foram feitas várias auditorias de urgência à ACIB e todas identificaram ilegalidades. O Instituto de Emprego revelou que houve sobre-facturação, salários ilegítimos do presidente, João Albuquerque, e contratos de aluguer desvantajosos para o Estado. Há alunos que receberam certificados de formação de cursos que não frequentaram. A ACIB está sob investigação judicial desde 2016 mas até à data não há um único arguido constituído. Porque será?

sexta-feira, 30 de março de 2018

O lado doce da propaganda governamental


Um leitor enviou-nos a foto supra com a seguinte legenda:
"É aqui que anda o dinheiro que está por pagar aos promotores.... em pacotinhos de açúcar da Delta."
O Má Despesa abstém-se de comentários adicionais. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O caso de polícia da Associação Industrial do Minho que recebeu a medalha de mérito do município de Braga

António Marques, presidente da Associação Industrial do Minho desde 2002


Recebemos o seguinte alerta de um leitor que tem interesse para todos os cidadãos, inclusive para as instituições europeias:

"A Associação Industrial do Minho - AIMINHO, presidida desde há vários mandatos por António Marques, estará cercada por várias contingências mercê as eventuais ilegalidades praticadas nos últimos anos, mas apesar disso continua a receber e executar fundos públicos e verbas comunitárias....

A verdade é que esta Associação Empresarial, assim como todas as demais associações e empresas em que participa (BICMinho / Oficina da Inovação, S.A.; IEMINHO - Instituto Empresarial do Minho,...) receberam ordem de impedimentodesde inícios de 2015, pela AdC - Agência da Coesão de acederem a fundos comunitários, por graves indícios de fraude na obtenção e desvio de fundos comunitários.

Relembre-se que estas suspeitas tiveram origem em denúncias anónimas, notícias, e de um processo aberto pelo OLAF - Organismo de Luta Anti Fraude da União Europeia, a que se seguiram várias buscas feitas pela PJ e estando a correr no DCIAP - Departamento Central de Investigação e Ação Penal o processo-crime 140/12.3-TELSB contra estas entidades e seus responsáveis e cuja acusação estará para breve, prevendo-se que o pedido de indemnização civil na acusação e que está a ser computado pelos peritos atinja algumas dezenas de milhões de euros, tendo em conta o volume de incentivos comunitários que estas entidades receberam e que estão sob suspeita, além dos ilícitos de fraude fiscal.

Desde as notícias das buscas feitas pela PJ, assim como da deliberação de 30-01-2015, do Conselho Diretivo da AD&C - Agência para o Desenvolvimento de Coesão, I.P. que superintende todos os organismos intermédios de gestão dos fundos comunitários em Portugal, em que nesse documento se refere expressamente "Os factos objeto de investigação serão suficientemente indiciadores da irregularidade das operações em causa...", tendo sido despoletados por esses organismos intermédios pedidos de devolução de fundos, cortes, e suspensão de pagamentos nos projetos em que a AIMNHO estava envolvida.

A esta ação de bloqueio de pagamentos da AD&C a estas entidades, seguiram-se providências cautelares interpostas pela AIMINHO e demais entidades que conseguiram desbloquear essas verbas, tendo em conta que ainda não tinha sido deduzida acusação.

Recorde-se que está em causa a faturação em cascata e cruzada entre a Associação e diversas empresas e Associações participadas, empolando os custos dos projetos em que foram embolsando as comparticipações públicas e comunitárias.

Por outro lado, há vários indícios de ter existido, por parte de entidades terceiras que eram contratadas pela AIMINHO, o recurso para o desenvolvimento destes projetos a recursos humanos da própria AIMINHO, que deste modo não tinham praticamente qualquer custo, apesar de faturarem à AIMINHO e às entidades beneficiárias a totalidade dos valores previstos, e que depois eram imputados aos projetos. De referir ainda, que estes mesmos recursos humanos (técnicos de projetos, consultores, formadores,...) estavam imputados aos projetos diretamente pela própria associação... falsificando assim os registos.

Apesar do volume de dezenas de milhões de euros em projetos executados sob o mandato do ainda presidente da AIMINHO, António Marques, das suspeitas de fraude, e desvio de fundos, a AIMINHO tem dividas a bancos que ultrapassam os 8,0 Milhões de euros, e vê-se a braços com uma execução da CGD que ameaça a sua existência e solvência imediata. No processo 2081/16.6T8VCT, a CGD reclamou da AIMINHO 5.634.968,78 €, sendo promovido pelo Agente de execução João Paulo Amorim, tendo dado entrada e sido distribuído em 09/06/2016, na Secção Cível - J3 de Viana do Castelo - Instância Central.

Esta Associação tem também em curso vários litígios laborais com ex-trabalhadores por incumprimentos diversos, incluindo reclamações de direitos não reconhecidos e/ou não satisfeitos.

Em paralelo estará também em curso um processo de natureza fiscal, tendo em conta o estatuto de Utilidade Pública que a AIMINHO dispõe, pois ao longo dos últimos anos foi feita vária faturação cruzada entre a AIMINHO e as empresas participadas da Associação e participadas do seu Presidente e diretores, de forma a anular os efeitos da sobrefaturação de empolamento de custos dos projetos cofinanciados, que tendo em conta o referido estatuto estaria proibido por lei, uma vez que permite a fuga ao pagamento de IRC. De relevar que se assistiu nos últimos 3 anos a várias liquidações e insolvências de várias destas empresas veículo com o objetivo de permitir a prescrição e caducidade das responsabilidades de fraude fiscal e eventuais reversões para os responsáveis de facto por estas entidades.

Apesar de tudo isto, o Presidente da AIMINHO - António Marques, e nessa condição, conhecido militante social democrata da concelhia de Braga, e afeto a Ricardo Rio - Presidente da autarquia de Braga, recebeu a medalha de mérito da cidade no dia 05 de Dezembro de 2016, por mérito e reconhecimento a serviços prestados.... 

De referir que o próprio Ricardo Rio, enquanto era vereador e líder da oposição ao executivo de Mesquita Machado, foi consultor e formador de vários projetos promovidos por estas entidades.

António Marques é ainda visado no processo de tráfico de influências de Miguel Macedo (ex-ministro e deputado por Braga pelo PSD), cujo julgamento inicia em Lisboa em Janeiro de 2017, relativo a uma escuta telefónica entre ambos, e a factos relativos ao tratamento fiscal em sede de IVA relativo a tratamentos médicos num hospital de Guimarães por cidadãos estrangeiros líbios.

Apesar do cenário de rotura eminente, tanto a AIMINHO, como as demais entidades participadas, viram aprovados no Portugal 2020, várias centenas de milhares de euros de candidaturas aprovadas e em execução (!!), muito à custa da capacidade das influências do Presidente da AIMINHO - António Marques, e seus colegas das demais entidades referidas junto dos  responsáveis dos Organismos públicos e técnicos de análise de candidaturas, incluindo ainda diversos políticos nacionais e eurodeputados.

Relembre-se que o novo regulamento do quadro comunitário Portugal 2020, que regula os fundos comunitários desde 2014 até 2020, prevê expressamente impedir entidades e seus responsáveis de acederem a fundos comunitários desde que tenham sido acusados ou sob os quais haja ações de injunção de recuperação de fundos comunitários.
Será de perguntar, quem foram os últimos beneficiários destes projetos? E para onde foram estas dezenas de milhões de euros? Para quando a acusação e o julgamento?"









quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Valpaços: Meio milhão só para as obras da nova loja do cidadão



Valpaços, concelho do distrito de Vila Real com menos de 17 mil habitantes, também foi contemplado com uma nova Loja do Cidadão. Só a empreitada de construção (reconversão de uma antiga escola primária) vai ter o custo (inicial) de 495.000,00 € (+IVA).  Além disto, vai ser necessário adquirir mobiliário, equipamento informático e os demais itens necessários ao funcionamento do espaço. Não deixa de ser curioso que em Outubro de 2014 a TVRegiões noticiava que "o “Espaço do Cidadão” é uma valência garantida e vai ganhar forma em Valpaços, (...)". No protocolo então assinado entre o autarca de Valpaços e o anterior Governo, foram previstas três "mini lojas do cidadão" no concelho, tendo sido inauguradas duas delas no Verão passado (fonte: Notícias de Valpaços). Ainda assim, parece que é preciso mais. A nova Loja do Cidadão de Valpaços tem abertura prevista para o próximo Verão, antes de Outubro de 2017, obviamente. 



NB: O Má Despesa tentou obter mais informação sobre o concelho mas o site da autarquia esteve sempre indisponível durante o período de consulta. 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Caminha: Novo campo de futebol em construção

 
 
«A empreitada “Construção do Campo de Futebol de Lanhelas” já arrancou. Dentro de cerca de sete meses, os lanhelenses vão contar com um campo de futebol completamente renovado e adequado para a prática desportiva.(...) É de realçar que a Construção do Campo de Futebol de Lanhelas é mais uma das candidaturas submetidas e aprovadas pelo ON.2. Sobre o aproveitamento dos últimos fundos comunitários, Rui Teixeira salienta “a importância de termos conseguido enquadrar a obra nas últimas verbas do QREN, aproveitamos uma oportunidade que não se vai repetir, uma vez que no próximo quadro não haverá verbas para equipamentos desportivos. (...) Esta intervenção prevê a colocação de piso sintético, a construção de balneários e a preparação de área para bancadas.», lê-se no site da autarquia de Caminha, informação publicada no dia 18 de Março. O Má Despesa encontrou o contrato da empreitada de construção do novo campo com o valor de 652 mil euros (+IVA). Um belo retrato de um país em crise.
 
 
N.B.: Segundo o jornal  local "O Caminhense", "o Lanhelas F.C., é uma Associação Desportiva, fundada no ano de 1917 por um pequeno grupo de Lanhelenses, amantes do futebol " e em quase cem anos de vida conta com dois "troféus oficiais":  a taça da A.F.V.C. nos anos de 1976 / 77 e a disputa do apuramento nacional, para a Taça de Portugal, nos anos de 1985 / 86 (com União Desportiva Valonguense, de Valongo-Porto).

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Santarém quer futebol



«A Câmara espera iniciar “em breve” a obra de colocação de um piso sintético no campo de jogos da Ribeira de Santarém. Neste momento, a autarquia aguarda “a tramitação do processo” e a aprovação do fundo comunitário para avançar com a empreitada que foi já alvo de adjudicação. (...) Segundo disse o presidente da autarquia, prevê-se que a obra esteja concluída ainda “antes do verão”, num investimento que deverá rondar os 180 mil euros e será feito por ajuste directo», noticiava o Correio do Ribatejo no dia 23 de Março. O ajuste directo para a relva sintética foi publicado hoje pelo preço de 113.561,00 € (+IVA). É curioso constatar que continuam a existir fundos comunitários para estas não prioridades.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Seia: mais uma câmara a mascarar a falta de dinheiro com os fundos comunitários


É mais um pequeno exemplo que vem de Loriga, uma freguesia do concelho de Seia com cerca de mil habitantes, situada na parte sudoeste da Serra da Estrela. Está a ser construído um parque nesta freguesia pelo valor de 200 mil euros, a fazer fé na informação oficial que consta junto à obra (foto)- com o alto patrocínio dos fundos comunitários. O Má Despesa encontrou o contrato da empreitada de construção do parque de Loriga no valor de 149 mil euros (+ IVA) -  um ajuste directo da câmara municipal de Seia do início deste ano. Graças às dívidas, este município teve de implementar um Plano de Reequilíbrio Financeiro (PRF) e aderir do Programa de Apoio à Economia Local (PAEL). E ainda no mês passado, o gabinete da presidência informava que "a Câmara Municipal admite recorrer ao fundo [Fundo de Apoio Municipal], se as condições financeiras forem favoráveis ou mais atractivas que os dois planos que se encontram a ser implementados." A dívida é uma praga - e as obras também.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

«É normal haver atrasos» no desenvolvimento do país




A obra de construção do Centro de Alto Rendimento (CAR) de Remo do Pocinho, em Vila Nova de Foz Côa, foi inicialmente lançada por concurso público em Outubro de 2009. Em Abril de 2011, com a troika à porta, a SIC Notícias dava conta que «o presidente da Câmara de Vila Nova de Foz Côa classifica[va] o futuro Centro de Alto Rendimento (CAR) de Remo do Pocinho, como " fundamental" para o desenvolvimento desportivo e turístico do Douro Superior». A obra estava prevista para Maio de 2012 e era suposto ter servido de equipamento de treinos para os Jogos Olímpicos de Londres. Esta infra-estrutura desportiva e de lazer situada no Rio Douro foi orçada em cerca de sete milhões de euros - com o alto patrocínio dos fundos comunitários- e é óbvio que ainda está em construção. No passado dia 8 de Agosto foi lançado o concurso público para a 2.ª fase da construção do CAR por mais de um milhão de euros (1046631.43 EUR)Perante tamanha derrapagem temporal, o autarca de Foz Côa disse ao jornal "O Interior" que «é normal haver atrasos». Pois é, mas o Má Despesa não é fã disso.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Portugal viciado em obra


Desta vez é Lousada, um concelho do distrito do Porto. Ontem a autarquia publicou, em Diário da República, os concursos públicos para a construção de uma pista de atletismo por cerca de 600 mil euros (599850.73 EUR) e de um novo pavilhão desportivo por mais de 700 mil euros (726387.17 EUR). É óbvio que o Má Despesa foi logo espreitar o site do opaco município de Lousada (229ª posição do Índice de Transparência Municipal) e descobriu que, além do clássico pavilhão municipal, Lousada conta com os seguintes equipamentos:
Estádio Municipal de Hóquei em Campo, de relva sintética;
Residência Desportiva, com 46 camas;
Campos Multifuncionais (futebol e rugby), de relva sintética;
Campos de Ténis, em terra batida;
Estádio Municipal de Futebol, de relva natural.
Mais do mesmo: os governantes nacionais não resistem a lançar obra e as instituições comunitárias continuam a patrocinar os desejos de betão. 




sexta-feira, 18 de julho de 2014

Pavilhão de Ourém continua a dar que falar




Lembra-se de o Má Despesa ter escrito há quase duas semanas sobre o novo pavilhão desportivo por mais de 1,8 milhões de euros que a autarquia de Ourém quer construir? Ourém é o município que em 2012 precisou de 3,3 milhões de euros do Programa de Apoio à Economia Local (PAEL) para evitar a falência. Dois anos depois a realidade parece ser bem diferente, graças aos fundos comunitários que pagam todos os luxos. Pois bem, a história chegou agora ao Correio da Manhã.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Ourém também não pára a obra



Ourém é mais um daqueles municípios que também recorreu ao famoso Programa de Apoio à Economia Local (PAEL). E não é que esta semana a autarquia lançou o concurso público para a construção de um novo pavilhão desportivo por mais de 1,8 milhões de euros (1862089.52 EUR)?! O desejo já vem do executivo municipal de 2008 e nem a asfixia financeira dos últimos anos travou o delírio que tem o alto patrocínio dos fundos comunitários, naturalmente. 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Madalena do Pico: Um mergulho no reino da megalomania



Madalena do Pico é um dos três concelhos da açoriana ilha do Pico. Em 2011 contava com pouco mais de 6 mil habitantes (6.049) e a autarquia decidiu construir uma nova biblioteca municipal e um auditório por mais de 4 milhões de euros (foto). O concurso público para a construção do auditório municipal foi lançado em Maio de 2011 e, apesar do atraso da praxe na execução das obras, o edil garantiu que estariam prontas em 2013. Em Fevereiro de 2014, a Rádio Pico noticiava que as obras do auditório e da biblioteca estavam paradas devido a "dificuldades do empreiteiro em conseguir concluir a obra pelo valor acordado", nas palavras do presidente do Município. No mês seguinte, a mesma rádio local noticiava que a empresa AFAVIAS iria concluir a biblioteca e o auditório municipal da Madalena até Dezembro deste ano - e que a autarquia registava uma dívida superior a 2,6 milhões de euros. Perante isto, o Má Despesa decidiu espreitar os contratos publicados -no portal BASE- pela empresa municipal Madalenagir, SA, responsável pela obra, e constatou que esta empresa pública só tem 26 contratos publicados no portal obrigatório dos contratos públicos, apesar de ter sido constituída em 2007. Até à data, foram publicados os contratos dos estudos, projectos e consultoria da obra de construção do auditório, que custaram mais de 233 mil euros (185.521,16 € + 47.894,09 €), bem como o contrato de empreitada da mesma obra - celebrado em 2011 e apenas publicado em 2013-, no valor de mais de 2,7 milhões de euros (2.771.567,31 €). Tendo em conta o valor do investimento em causa, o Má Despesa nem consegue imaginar o nível da importância desta obra- no desenvolvimento económico e social do concelho- identificado pela autarquia de Madalena do Pico.



quarta-feira, 28 de maio de 2014

Barragem da Covilhã: Uma estranha trapalhada com 20 anos



"O contrato de financiamento para a construção da barragem da Ribeira das Cortes, na Covilhã, foi assinado a 20 de Julho de 2012 pela autarquia e pelo Governo e o investimento previsto era de 28,2 milhões de euros", noticiava a Rádio Cova da Beira, a 17 de Abril de 2013, na sequência da segunda revogação da declaração de Impacte Ambiental (DIA) da barragem da Covilhã, por parte da Secretaria de Estado do Ambiente e do Ordenamento do Território.(No mesmo mês,o tribunal deu provimento a uma providência cautelar interposta por um proprietário de um dos terrenos abrangidos.) A decisão governamental causou uma grande indignação ao autarca da Covilhã que considerou que "a não realização desta obra significa cerca de 26 milhões de euros de fundos comunitários POVT e Financiamento BEI desaproveitados, perdendo-se a oportunidade de criação de emprego e dinamização económica, numa região de forte emigração." Volvidos 8 meses, em Dezembro do ano passado, a RTP noticiava que a obra ia avançar, tendo obtido visto do Tribunal de Contas e a aprovação condicionada de uma nova DIA, o que levou a Quercus a recorrer às instâncias comunitárias - a associação ambientalista aponta a falta de pessoas (o concelho tem pouco mais de 50 mil habitantes e perdeu mais de 20 mil pessoas nos últimos 50 anos), os falsos números que sustentam o estudo (os níveis de consumo indicados são superiores aos reais) e a destruição de uma reserva natural com características únicas como causas de contestação da construção da barragem. Curiosamente, no início deste ano a autarquia entrou em saneamento financeiro e em Março o presidente da câmara da Covilhã assumiu não ter dinheiro para a obra, independentemente de problemas ambientais e jurídicos, mas admitiu avançar com um novo projecto noutro local (Rádio Cova da Beira, 2 de Março de 2014). É assinalável o rodopio de decisões sobre a obra ocorrido em menos de dois anos.  A este bom exemplo do planeamento altamente defeituoso da gestão pública portuguesa não faltam dois distintos pormenores relatados pelo jornal i: i) caso a obra se realizasse no local escolhido pela autarquia (integrado na Rede Natura 2000) também destruiria património histórico e cultural que se encontra em recuperação com financiamento comunitário; ii) o ex-ministro Miguel Relvas foi um grande defensor da construção da barragem, invocando um interesse público focado no "financiamento comunitário, essencial para a construção da barragem, bem como uma séria de outras operações e negociações, nomeadamente concursos públicos." 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Montemor-o-Novo a lançar obra



A primeira fase do Parque Desportivo Municipal de Montemor-o-Novo (um campo de relvado sintético) foi inaugurada em Setembro de 2008. Na altura, e em declarações à DianaFm, o então edil, Carlos Pinto de Sá, salientou tratar-se de «um projecto ambicioso”, adiantando que “nesta primeira fase, o parque desportivo pode ser utilizado para a prática de futebol e rugby. Vai entrar também em funcionamento uma área destinado ao hipismo”, revelou. Mais tarde, “talvez em 2009”, a autarquia avançará com a segunda fase do projecto, que prevê a construção de uma pista de atletismo em tartan. A primeira fase do novo parque desportivo custou à autarquia 1 milhão e 400 mil euros, tendo sido comparticipação, por fundos comunitários, em 500 mil euros.» No passado mês de Março, isto é, volvidos cerca de 5 anos sobre o prazo previsto, foi lançada a 2.ª fase do Parque Desportivo - a construção de uma pista de atletismo por mais de 300 mil euros (311.704,84 €). Segundo a autarquia, o concelho já dispõe de uma pista de atletismo, contando também com 2 "pavilhões de desporto", 13 "grandes campos de jogos",  10 "pequenos campos de jogos e ringues polidesportivos", 4 "salas de desporto", 1 campo de ténis, 2 piscinas (uma delas coberta) e um centro hípico. Os 17.437 habitantes (CENSOS 2011) do município de Montemor-o-Novo já devem andar a aquecer nos inúmeros equipamentos desportivos disponíveis, em jeito de preparação para a fruição de tão (aparentemente) necessária obra municipal.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

MDP TV:A má despesa pública nos fundos europeus


"Prepare-se para uma viagem a um mundo estranho, a Europa. Um mundo com leis, códigos e segredos próprios. Um mundo onde há muito dinheiro para quem souber orientar-se", é assim que começa o programa Toda A Verdade (SIC Notícias) sobre fraudes na utilização dos fundos europeus (pode ver o programa aqui). Desde uma pista de esqui financiada por fundos comunitários e que não passa de um capricho de um cidadão dinamarquês, dos 111 milhões de euros sorvidos por empresas francesas para exportarem manteiga falsificada e da auto-estrada italiana que está em construção há 20 anos com fundos europeus que servem para alimentar a máfia da região. São exemplos que bem reflectem a negligência das instituições comunitárias na atribuição e fiscalização do dinheiro dos Estados-membros.





sexta-feira, 4 de abril de 2014

Alto Alentejo: vem aí t-shirt nova!



O contrato foi celebrado no dia 1 de Abril mas não é mentira. A Comunidade Intermunicipal da Alto Alentejo (CIMAA) gastou 5.300 euros em t-shirts para promoção do projecto “Provere- Inmotion”. Segundo a CIMAA, «a iniciativa PROVERE “InMOTION: Alentejo, Turismo e Sustentabilidade” procura valorizar os recursos do território, combinando o desenvolvimento sustentável dos recursos naturais e culturais da região, com o estímulo a iniciativas empresariais, fileiras de negócio e cadeias de valor.» E os 14 municípios do Alto Alentejo lá se lembraram de t-shirts. O dinheiro do QREN dá mesmo para tudo.



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Rio Alviela imundo de incompetência



O rio Alviela nasce no concelho de Alcanena e a sua nascente "é uma das mais importantes do nosso país, chegando a debitar 17 mil litros por segundo, ou seja, 1,5 milhões de metros cúbicos de água por dia (pico de cheia). Desde 1880 até bem próximo da atualidade, a nascente do Alviela foi uma das principais fontes de abastecimento de água à cidade de Lisboa (através do Aqueduto do Alviela), e ainda hoje “abre portas” a um dos maiores reservatórios de água doce do país." A bacia do Alviela é partilhada pelos concelhos de Alcanena, Golegã, Porto de Mós, Santarém e Torres Novas. A poluição deste rio é um filme antigo e controverso. Em 2008, Moita Flores, na qualidade de edil de Santarém, apresentou o “Estudo de Recuperação do ecossistema do rio Alviela” para concluir que as principais fontes poluidoras do rio eram as industrias agro-pecuárias de Santarém e Alcanena e que tinham de recorrer ao QREN para financiar as obras necessárias à resolução do problema. No ano seguinte, em 2009, a Administração da Região Hidrográfica do Tejo (ARH Tejo),as autarquias da região, o INAG e os industriais dos curtumes assinaram um protocolo de colaboração e investimento para a salvaguarda do ecossistema fluvial do Alviela. Em 2010, o jornal O Ribatejo noticiava que o então presidente da ARH Tejo garantia que as restrições orçamentais impostas pelo PEC não afectariam o financiamento e que os fundos comunitários estavam "garantidos por decisão política do Ministério do Ambiente". Chegados a 2014 nada de relevante foi feito e ainda ontem ficámos a saber que houve mais uma descarga no Alviela , que desde Março de 2011 não são publicados relatórios sobre a execução do protocolo assinado em 2009 e que os fundos comunitários inicialmente previstos para despoluir o rio terão sido desviados para outros projectos (fonte: Público).