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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Quem é que acorda a Justiça?


Por acaso é com a Gebalis mas os exemplos de uma justiça aparentemente adormecida abundam por aí. A empresa municipal de Lisboa que gere os bairros sociais teve direito a destaque no livro "Má Despesa Pública nas Autarquias" no texto "Anatomia de um golpe" por ser um bom exemplo do ninho de esquemas que se podem encontrar no universo das empresas municipais. Ontem foi o julgamento do esquema de falsificação de cheques que envolveu (o sobejamente conhecido pelo Ministério Público) Mário Peças, ex-administrador da empresa municipal, Ismael Pimentel, ex-deputado do CDS-PP e um terceiro, Jorge Lopes. O colectivo de juízes da 8.º Vara Criminal de Lisboa deu como provado que o trio lesou a Gebalis em mais de 38 mil euros - montante pago indevidamente por Mário Peças a Ismael Pimental, usando Jorge Lopes -e condenou-os pelos crimes de peculato e falsificação. Ora vejamos as penas:
- O ex-administrador da empresa foi condenado a três anos e nove meses prisão mas tem direito a pena suspensa se pagar 10 mil euros; 
-O ex-deputado foi condenado a três anos e três meses de prisão mas se pagar 6 mil euros o tribunal suspende-lhe a pena;
-O terceiro foi condenado a dois anos e nove meses de prisão mas também tem direito a pena suspensa por mil euros. 
Ora, feitas as contas parece que ir a tribunal dá direito a desconto no que respeita a ressarcir o Estado, visto que os condenados desviaram mais de 38 mil euros mas só têm de pagar um total de 17 mil para seguirem em liberdade nas suas vidas. Mais, ficou-se também a saber que a empresa municipal nem se deu ao trabalho de pedir indemnização pelos prejuízos sofridos (fonte: RTP). E o pior é que tudo é verdade.