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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Qual é a relação deste blogue com a Declaração Universal dos Direitos Humanos?



Hoje assinala-se o 70.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual (também) constitui fundamento deste blogue. O Má Despesa Pública existe desde 2011 tendo em vista contribuir para a difusão de informação sobre a gestão pública portuguesa - recolhendo exemplos que consideramos que não devem ter lugar em nome de uma eficaz, eficiente e sã gestão dos recursos públicos nacionais-, fomentando a consciência cívica e, consequentemente, a participação política dos nossos concidadãos. O nosso trabalho pressupõe a materialização de dois direitos humanos fundamentais: a liberdade de opinião e de expressão e a participação na vida pública. Ora vejamos os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos que nos servem de colo:

Artigo 19.º
(Liberdade de opinião e de expressão)
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.

O direito humano fundamental de liberdade de expressão e de opinião pressupõe o acesso à informação - sem esta não existem aquelas. E no campo colectivo, a informação é fundamental no desenvolvimento da cidadania, garantindo a participação política (artigo seguinte). Como sabem os nossos leitores, denunciamos e reclamamos pela falta de acesso à informação legalmente pública, advogando por mais transparência na gestão dos recursos nacionais. O acesso à informação pública é a regra; o sigilo é a excepção. 


Artigo 21.º
(Participação política/Democracia)
Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negócios públicos do seu país, quer directamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.
Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país.
A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos; e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.

Como sabem os nossos leitores, advogamos por mais participação cívica - de todos, sem excepção- e por melhores políticas públicas (englobando representantes e gestores), ingredientes vitais a uma democracia plena- algo por cumprir em Portugal. 

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A macacada dos ajustes directos na Sábado com o Má Despesa



"Ajustes directos. A lei que é demasiado fácil ignorar" é o mote para um profunda análise aos ajustes directos, da autoria da jornalista Maria Henrique Espada, publicada ao longo de cinco páginas na edição da semana passada da revista Sábado - semana em que foi assinalado o 7.º aniversário desta casa. A jornalista analisou inúmeros casos aqui publicados, entrevistou os autores do Má Despesa e contactou muitas das entidades visadas pelo blogue. Concluiu que, regra geral, nada acontece para as "abundantes e escancaradas falhas e irregularidades" encontradas nos contratos publicados no portal BASE. "Houve um erro, é a justificação mais comum" dada pelos prevaricadores do Código dos Contratos Públicos. A reportagem constitui um bom retrato de Portugal enquanto "República das bananas" no que à gestão dos recursos públicos diz respeito. 




sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Entrevista ao Jornal Económico



Os autores do Má Despesa foram entrevistados pelo jornalista Gustavo Sampaio, e a entrevista foi publicada na edição da semana passada do Jornal Económico. Partilhamos aqui o conteúdo com os nosso leitores. 

O que motivou uma jurista e um jornalista a criarem a página “Má Despesa Pública”? 
Rui Oliveira Marques (ROM): O ponto de partida foi uma notícia de que a administração da Carris se preparava para mudar a frota dos carros topo de gama, numa altura em que essa mesma administração estava a cortar nas linhas e nas frequências de carreiras. Como somos utilizadores de transportes públicos consideramos que não era possível ficarmos de braços cruzados com mais um exemplo que mostra que quem gere as instituições ou empresas públicas está pouco ciente ou preocupado com a vida real. Decidimos então criar um blogue que compilasse os exemplos de “má despesa” que iam saindo na imprensa, de forma a que funcionasse como um directório de entidades públicas. Rapidamente percebemos que, pesquisando no portal Base, e analisando os relatórios do Tribunal de Contas e documentos financeiros das entidades públicas, encontraríamos muitos exemplos que mereciam ser denunciados, uns por serem caricatos e outros por representarem má gestão, despesismo e favorecimento. Através do nosso blogue, desde Abril de 2011, trouxemos à luz dos portugueses mais de mil situações concretas de despesismo injustificado, detectadas pelas nossas investigações. 

Trata-se de uma iniciativa da sociedade civil, sem fins lucrativos, visando o escrutínio da despesa pública, da forma como o dinheiro dos contribuintes é gasto… Isto não é algo contra-cultural em Portugal, cuja sociedade civil é tradicionalmente passiva? 
ROM: Quando arrancamos com o Má Despesa em 2011, e perante a gravidade das situações que íamos revelando no nosso blogue, esperávamos que houvesse algum tipo de sobressalto cívico e uma maior mobilização por parte da opinião pública para estas questões. A gravidade das contas públicas e da má gestão pública dominaram, nos anos da troika, a actualidade e as conversas de café. No entanto, que herança fica desses tempos em termos de consciência cívica? Continua tudo igual. A generalidade das pessoas mantém-se alheada em relação à forma como o dinheiro público é gerido. Basta olhar para as autárquicas em que, mesmo tendo em conta a proximidade de assuntos, as contas dos municípios, as despesas, os clientelismos e a falta de transparência não são escrutinados. 

Como é que distinguem entre “má despesa pública” e “boa despesa pública”, quais são os critérios? 
Bárbara Rosa (BR): Analisamos a despesa pública à luz dos princípios fundamentais da contabilidade pública, como sejam a legalidade e a transparência na aplicação dos recursos públicos, associados aos princípios de rigor e eficiência financeiros. Ou seja, analisamos, caso a caso, a adequação da despesa efectuada com os respectivos objectivos a atingir, tendo como vector a relação custo-benefício de cada despesa, em observância a uma gestão orçamental adequada e consentânea com o estado de saúde das contas públicas, e o desenvolvimento económicosocial do país. Existem ainda dois pressupostos objectivos. O primeiro é a classificação económica das despesas públicas constante no Decreto-Lei n.º 26/2002, de 14 de Fevereiro, que aprovou o regime jurídico dos códigos de classificação económica das receitas e despesas públicas. O segundo é considerar que a gestão pública tem comoo exclusivo objectivo o cumprimento das tarefas prioritárias do Estado, tal como definidas na Constituição da República Portuguesa. 

Nos últimos anos quais foram os casos mais impressionantes que divulgaram? 
ROM: Temos tido vários casos de contratações a dedo e de aquisições sem sentido. Uma das compras mais badalada que revelamos foi o facto de a autarquia de Almada oferecer relógios de ouro aos seus funcionários quando cumprem 25 anos de casa. Esta regalia continua vigente mas pelo menos agora todo o país sabe o que se passa. Outra que deu pano para mangas esteve relacionada com o Inatel, quando era dirigido pelo socialista Vítor Ramalho. Por várias vezes publicamos exemplos de despesismos e de contratações sem sentido. No entanto, a que deu mais que falar foi quando revelamos que o presidente do Inatel tinha pago cinco mil euros para ser entrevistado por uma revista. O contrato estava no portal Base! Mesmo assim, em vez de ter vergonha e se demitir, em declarações à imprensa Vítor Ramalho acusou-nos de estarmos ao serviço de um fundo imobiliário com interesses em comprar as unidades hoteleiras. Outra presença constante é da do Banco de Portugal que, a avaliar pelos contratos publicados no Base, nunca teve problema financeiro para gastar o seu orçamento em festas, passeios, eventos e carros. Foi graças ao nosso escrutínio que, nesta matéria, os jornalistas passaram a prestar mais atenção ao que se passava no Banco de Portugal. Há também o caso de uma estranha contratação de uma designer de apenas 19 anos por parte da Câmara de Gaia, nos tempos de Luís Filipe Meneses. Contamos a história no blogue e, soubemos depois, foi o ponto de partida para uma investigação da Polícia Judiciária. Depois, há a questão da falta de transparência. Um dos nossos cavalos de batalha esteve relacionado com o anterior Presidente da República, Cavaco Silva, que nunca publicou qualquer contrato como manda a lei. Expusemos o assunto por várias vezes e a Presidência da República chegou a garantir em 2012 à TVI que a situação iria ser corrigida. Tal nunca aconteceu, apesar de o Tribunal de Contas se ter pronunciado sobre a questão referindo que os contratos tinham de ser do conhecimento público. A situação só foi corrigida com o novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. 

A atividade da vossa página costuma intensificar-se nas vésperas de eleições. A “má despesa pública” aumenta quando há eleições, sobretudo ao nível autárquico? Este ano voltou a aumentar? 
BR: A despesa pública municipal aumenta em ano de eleições, é factual, e num país com uma medíocre cultura gestionária é óbvio que a má despesa aumenta igualmente. Aliás, recentemente foi publicado um estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que, tendo por objecto avaliar o impacto da Lei de Limitação de Mandatos, concluiu que nas autárquicas de 2013, em pleno programa de ajustamento da troika, a despesa total das autarquias aumentou 9,9%. O estudo identifica um outro aspecto que gostaríamos de salientar: quem fica impedido de recandidatar-se gasta menos do que aqueles que se apresentam a reeleição. O ano ainda não acabou, pelo que qualquer conclusão pode pecar por defeito, mas a nossa percepção é clara: há mais má despesa pública este ano, comparativamente ao ano passado, nomeadamente em rubricas relacionadas com comunicação, festas e afins, ou seja, propaganda, “pão e circo”. É sempre assim. Além disso, convém lembrar que o OE deste ano é um bom aliado do regabofe das contas públicas locais, permitindo que os municípios gastem mais dinheiro na aquisição de bens e serviços do que em 2016, ao contrário da grande maioria dos organismos públicos. 

As entidades públicas que não publicam os contratos que celebram não deveriam ser sancionadas e os dirigentes responsabilizados? 
BR: É óbvio que tem de existir um (outro) regime sancionatório para as entidades públicas, e seus responsáveis, que não respeitem a lei em matéria de transparência e publicidade da execução da despesa, o qual pode ser materializado de forma muito simples como a redução orçamental e remuneratória- sem qualquer judicialização da punição. Bastaria para tal a previsão legal da redução das transferências do OE para determinada entidade na proporção da percentagem da despesa “ocultada”, efeito este a reflectir-se, igualmente, na remuneração dos responsáveis da entidade em causa. Sem castigo efectivo não há correcção de hábitos e costumes, até porque em matérias de transparência e accountability o Estado português é muito infantil. 

Desde a criação da vossa página, consideram que a “má despesa pública” tem aumentado ou diminuído? Há mais ou menos casos de despesismo, mais ou menos avultados? A situação de pré-bancarrota do Estado em 2011 não alterou esses maus hábitos? 
BR: Consideramos que o delírio sofreu alguma redução, até porque obras como “casas de cultura”, piscinas e outras infra-estruturas locais, casos que rechearam o nosso livro “Má Despesa Pública nas Autarquias” (Aletheia, 2013), deixaram de ser moda ou (falsamente) justificáveis. Por outro lado, e ao nível da administração central, o eng.º Sócrates, sobretudo ele, deixou pouco espaço para grandes obras públicas de utilidade duvidosa, como mais auto-estradas e barragens, além dos estádios de futebol, por exemplo, cujas obesas facturas contaminarão várias gerações. Mas o despesismo não se esgota em obras, infelizmente, e continuamos a assistir a má despesa pública generalizada, nomeadamente na aquisição de bens e serviços, realidade constantemente retratada no blogue. Enquanto as administrações públicas não se divorciarem da incompetência, do clientelismo e da opacidade, a má despesa terá sempre o seu ninho para viver e multiplicar-se, independentemente do partido político ou/e de qualquer política de austeridade. 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

O Má Despesa faz 5 anos e chega ao fim





Durante os últimos 5 anos recebemos muito mais do que aquilo que demos aos nossos concidadãos. Estamos infinitamente gratos a todos aqueles que apoiaram o nosso trabalho. A má despesa pública nacional vai continuar a existir, mas este blogue não. O Má Despesa foi criado no dia 1 de Abril de 2011 e hoje "fecha as portas" - para alívio de muitos. 
Obrigado por ter estado desse lado.

Bárbara Rosa
Rui Oliveira Marques

sexta-feira, 11 de julho de 2014

MDP nos Jardins Efémeros


Quando a Sandra Oliveira convidou o Má Despesa Pública para participar na programação dos Jardins Efémeros (JE) não hesitámos por um segundo e o nosso entusiasmo superou os níveis do défice público português. Assumimos os JE, projecto que tão bem conhecemos e tanto apreciamos, como um espaço de liberdade, observação, intervenção e crítica social, e, por isso, um marco de cidadania. Decidimos não levar para Viseu exemplos de má gestão pública e de outras doenças do Estado que tão bem conhecemos. Optámos por levar para a cidade um registo diferente daquele que é o nosso mas que faz parte da essência dos Jardins - o vídeo- e na perspectiva que sempre os pautou e que deve orientar a construção social das cidades- a universalidade. “Uma revolução tranquila. Os orçamentos participativos numa perspectiva portuguesa”, de Pierre Stoeber e Giovanni Allegretti, é um documentário realizado entre 2010 e 2013, integrado num projecto do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, que nos mostra a importância da participação dos cidadãos nos processos de co-decisão do destino dos recursos públicos na construção e aprofundamento da democracia. “Terra da Fraternidade” é um documentário de Lorenzo D`Amico de Carvalho filmado e mergulhado no Portugal de 2014, numa altura em que o país é novamente abalado por ventos de revolta perante a opressão da austeridade económica. Neste documentário, “um pai e uma filha, com percursos distintos mas unidos na mesma luta, guiar-nos-ão numa viagem através da revolução que foi e daquela que, porventura, virá a ser.”

PÓLIS
ORÇAMENTOS E LIBERDADE
CURADORIA: MÁ DESPESA PÚBLICA

Local | Museu Grão Vasco

Documentários e conversa com os realizadores

Dia 13 de Julho – 17h00

“Uma revolução tranquila. Os orçamentos participativos numa perspectiva portuguesa”, de Pierre Stoeber e Giovanni Allegretti, com a presença deste último.

Dia 13 de Julho – 18h30

“Terra da Fraternidade” de Lorenzo D`Amico de Carvalho

A quarta edição do festival Jardins Efémeros realiza-se de 11 a 20 de Julho em Viseu e é imperdível.

terça-feira, 1 de abril de 2014

3 ANOS DE MDP!


Tudo começa com um sonho e este blogue não é excepção. Dois amigos decidiram levar para o espaço virtual uma das suas preocupações públicas e recorrente tema de conversa - a má despesa pública -, no sentido de contribuir para o seu combate (o sonho). Sem olhar a quem e sem perseguir instituições, tendo por base documentos oficiais publicados pelas entidades públicas e denúncias dos leitores devidamente comprovadas, relatámos episódios reais de indevida e/ou duvidosa utilização dos recursos públicos de um Estado que vive mergulhado na opacidade. Não conseguimos acabar com a má despesa pública nem tão pouco ver publicados os contratos da Presidência da República, mas esperamos ter contribuído para a reflexão e ajuda na formação de um olhar crítico sobre a gestão pública nacional. 
O Má Despesa não deve ser visto como um ataque aos governantes- o único alvo é a má governação-, e apenas deve ser encarado como um (pretenso) instrumento de aprofundamento da participação cívica, escrutinando e fornecendo informação devidamente seleccionada e "digerida", inteligível ao cidadão comum. O fosso que existe entre a sociedade e as instituições também nos apoquenta. O segredo desencoraja a participação pública, serve de ninho aos erros da gestão e obsta à responsabilização dos agentes públicos e, por isso, o Má Despesa anda sempre na arena do direito de acesso à informação. Sem o perfeito cumprimento deste direito não existe controlo, debate e vigilância por parte dos cidadãos - acções essenciais à criação do espaço público, à construção da democracia. No fundo, só queremos uma melhor democracia e sabemos que não estamos sozinhos.  Eis o balanço de 3 anos de vida:
  • 815 posts no blogue;
  • 2218 comentários de leitores publicados no blogue (só não são publicados os que contêm vernáculos);
  • Mais de 1,2 milhões de visualizações em menos de 2 anos (o contador só foi introduzido posteriormente);
  • Mais de 17.500 seguidores no Facebook;  
  • Mais de 700 seguidores no Twitter;
  • 2 livros publicados: "Má Despesa Pública" e "Má Despesa Pública nas Autarquias" (edição Aletheia);
  • Apresentação pública dos livros em Lisboa, Porto, Viseu, Braga e Silves; intervenção em vários seminários/encontros; dezenas de entrevistas e notícias na comunicação social;
  • Organização do Arte e Debate, no âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa;
  • 1 ameaça à integridade física  (a excepção que confirma a regra de que não somos alvo de ameaças);
  • Algumas insónias;
  • Bastante diversão;
  • Extra-dose de inquietude;
  • Muita vontade de continuar;
  • Real gratidão a todos os leitores e leitoras.

Bárbara Rosa
Rui Oliveira Marques

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Quer colaborar com o MDP? Chegou o momento!




"Sala da Nação – Embaixada de Terra Nenhuma" é um projecto de Paulo Moreira e Kiluanji Kia Henda integrado na exposição "A Realidade e Outras Ficções", com curadoria de Mariana Pestana, para a terceira edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa, "Close, Closer".  "No atual cenário de descrédito relativamente aos modelos políticos existentes, evidenciado por protestos e manifestações por todo o mundo que reclamam alternativas aos sistemas vigentes, esta é a embaixada de uma nação fictícia, que não representa qualquer tempo ou espaço em particular.  Os elementos que tipicamente constituem a sala de recepção de uma embaixada – código de conduta, urna, bandeira, trono, retrato – são aqui sabotados de modo a comunicar uma nova ordem. Semanalmente, associações e grupos que desenvolvem trabalho nas áreas do ativismo político, cidadania e inclusão social, são embaixadores em sequência, dando voz a realidades e cidadãos frequentemente sub-representados sob a forma de recepções, perfomances, mesas redondas e outros eventos abertos ao público." O Má Despesa vai ser embaixador da "Sala da Nação – Embaixada de Terra Nenhuma" (Palácio Pombal)  na semana de 24 a 30 de Novembro e, assim como pedimos o contributo dos nossos leitores neste espaço virtual, não concebemos deixar de o fazer no âmbito da nossa participação na Trienal de Arquitectura. Pretendemos fugir ao modelo convencional de abordagem/comunicação da má despesa pública nacional e, por isso, convidámos artistas/criativos que bem conhecemos para, em cada uma das suas áreas técnicas,, comunicarem a (má) gestão pública e/ou o défice cívico e político da sociedade. A par destas instalações permanentes, procuramos outras formas de expressão artística para, de forma breve, comunicar um dos seguintes temas:
i) Má gestão - inclui quase tudo, desde clientelismo encapotado a estádios e piscinas de milhões;
ii) Falta de transparência do Estado, em especial na prestação de contas;
iii) Apatia cívica e política dos cidadãos perante a vida do Estado.
Existe sempre a opção de escolher um ou vários posts deste blog como ponto de partida para a escolha do tema ou situação a retratar. Em consonância com a natureza deste blog, trata-se de um trabalho voluntário, pelo que isto não é mais do que um convite à participação cívica dos leitores. Assim, convidamos os leitores a enviarem-nos propostas simples, nos termos acima descritos, para madespesapublica@gmail.com, acompanhadas do portfólio (link), até dia 19 (5.ªF), inclusive. 



segunda-feira, 1 de abril de 2013

2 anos de Má Despesa Pública




E o tempo voa, tal como o dinheiro dos nossos impostos. Para quem não sabe, o Má Despesa Pública é da autoria de dois amigos que decidiram ocupar parte dos seus tempos livres num blogue para partilhar com os restantes concidadãos casos de má afectação dos recursos públicos. Estávamos a 1 de Abril de 2011. 
Sem informação não é possível construir uma consciência crítica sustentada e esta é essencial ao exercício da cidadania. E este blogue representa um mero exercício cívico de escrutínio da gestão pública. Mais nada.
O Má Despesa agradece o apoio de todos os leitores ao longo destes dois anos de existência e lamenta, profundamente, que os gestores públicos (eleitos/nomeados) incompetentes e pantomineiros continuem a  ser a classe dominante no Estado. Como escreveu Almada Negreiros em 1915, e com as devidas adaptações, "Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!"

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Má Despesa candidato a blogue do ano

Acha que o Má Despesa Pública merece o título de blogue do ano? Então ajude-nos a que seja o mais votado na competição Blogs do Ano 2012. Está já a decorrer a votação dos blogues do ano, em várias categorias. O Má Despesa concorre em Actualidade Política-blogue colectivo e em Economia. Pode votar aqui. Obrigado pela ajuda!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A vida numa freguesia



Vale a pena ler as peripécias do autor do blogue Freguesia de Tadim (Braga) na Assembleia de Freguesia. Os atrasos, as perguntas sem resposta e obras que não servem para nada. O Má Despesa desconhece se o autor irá candidatar-se às próximas autárquicas.
  1. Atraso de 70 minutos. «Tal como anunciado em newsletter via correio electrónico no dia 25 de Junho, realizou-se hoje a Assembleia de Freguesia de Tadim; o email recebido pelos subscritores da newsletter, e tal como anunciado no próprio site oficial da Junta de Freguesia de Tadim, dava conta que esta Assembleia se realizaria hoje, dia 27 de Junho “pelas 21h30”. (…) Por razões que a Mesa da Assembleia e o próprio sr. Presidente da Junta aludiriam no decurso da Assembleia, o atraso no início dos trabalhos – atraso de 70 minutos – deve-se a ter havido um jogo de futebol com uma equipa portuguesa e onde, disse-se, estava em causa o “interesse nacional”»
  2. Uma nova sede sem preço. «Quanto vai custar, afinal, o novo edifício-sede da Junta de Freguesia de Tadim?  pergunta sem resposta».
  3. Lâmpadas para piqueniques nocturnos. «As várias lâmpadas de grande consumo implantadas no parque de merendas serão alguma vez utilizadas? - pergunta sem resposta por parte do sr. Presidente da Junta por, no seu entender, a pergunta ser despropositada»
  4. Um parque de piqueniques com câmara de videovigilância! «No parque de merendas existe o que aparenta ser uma câmara de videovigilância? A mesma está legalizada? Foi-me respondido, no momento próprio, pelo sr. presidente da Junta que “tudo o que Junta faz é legal”. No alinhamento dessa resposta, um outro elemento da Junta referiu que “está a ser legalizada”. Permaneço na dúvida: aquela câmara de videovigilância está ou não está legalizada?»
  5. Criticado por andar de bicicleta no adro. «Colocadas as perguntas e ouvidas as respostas possíveis, dou também nota pública (porque a Assembleia de Freguesia é ela própria um acto público, assim como tudo o que ali é tramitado) da aparente indignação do sr. Presidente da Junta e de outro elemento (que não sei nomear) pelo facto de o primeiro me ter visto “várias vezes” a andar de bicicleta (!) no “adro da igreja“. Confesso-me surpreso e não consigo enquadrar o facto de eu andar de bicicleta nos espaços públicos da freguesia, mais ainda no “adro”… fora da jurisdição da Junta de Freguesia. “É uma falta de respeito”, disse o outro elemento da Junta.»