A PSP fez um ajuste directo no valor de 100 mil euros para “aquisição de serviços de viagens e estadas”. Assim, sem pedir propostas a mais nenhuma empresa especializada na matéria.
Blogue sobre advocacy em transparência e eficiência da gestão pública. E-mail: madespesapublica@gmail.com
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quarta-feira, 11 de julho de 2018
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
As viagens do Banco de Portugal
O Banco de Portugal (BdP) é impressionante a torrar recursos, como todos sabem. Só no mês de Janeiro, a entidade que tem mostrado não saber cumprir o seu papel de supervisão do sistema bancário nacional, publicou quatro ajustes directos relativos a serviços de viagens no total de 200 mil euros + IVA (aqui, aqui, aqui e aqui). E atenção que não estamos perante um caso isolado, pois todos os meses o BdP gasta dezenas de milhares de euros em "serviços de viagens e serviços similares".
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
Autarcas que nos envergonham
Partilhamos com os nossos leitores o texto da co-autora deste blogue publicado na edição de papel do Jornal do Centro do passado dia 3, a propósito do regabofe gestionário da Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão (AMRPB) e da empresa intermunicipal Ecobeirão:
Apregoar que os autarcas são quem melhor defende os interesses dos cidadãos afigura-se como um gesto retórico sem correspondência real em muitos concelhos deste país. Os casos são infindáveis e o quadro socio-económico generalizado fala por si. Com as devidas ressalvas, a gestão pública nacional, incluindo municipal, é conhecida pela abundância de defeitos que a desonram. Vejamos a recente acusação do Ministério Público (MP) contra os ex-autarcas Carlos Figueiredo (São Pedro do Sul), Carlos Marta (Tondela), Atílio Nunes (Carregal do Sal), Afonso Abrantes (Mortágua), Orlando Mendes e João Pais Lourenço (Santa Comba Dão), noticiada por este jornal no dia 25 de Janeiro, e relativa a crimes gestionários da Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão (AMRPB) e da empresa intermunicipal Ecobeirão, ocorridos entre 2002 e 2013. Segundo o MP (Despacho de Acusação, p.12), aqueles ex-autarcas em conluio com o (ainda) Secretário Executivo da AMRPB, António de Figueiredo Pereira, “delinearam entre eles uma forma de todos se locupletarem fazendo-se pagar a título de senhas de presença, despesas de combustível, alimentação e transporte que apresentavam à AMRPB e à Ecobeirão e a que bem sabiam não ter direito “, no total de meio milhão de euros. Todos eles, à excepção de Carlos Marta que não tinha funções na Ecobeirão, eram membros dos conselhos de administração desta empresa e da AMRPB. Ora, aqueles sete magníficos criaram um esquema criminoso de obtenção de fundos públicos para seu proveito pessoal, em prejuízo do interesse público. Para receberem o montante máximo estabelecido pelos próprios em senhas de presença, instituíram um acordo de mentira, segundo o qual o secretário da AMRPB declarava sempre que não havia faltas dos seus compinchas. Os registos dos boletins itinerários, com base nos quais eram pagas as despesas de deslocação, estadias e afins, eram omissos quanto à informação necessária para o devido controlo das despesas, que iam desde férias a pneus de veículos particulares. Resumindo, a gestão financeira da AMRPB e da Ecobeirão era um regabofe. Talvez não fosse má ideia auditar a gestão autárquica dos arguidos nos respectivos municípios – e nos demais cargos públicos que eventualmente terão ocupado.
A falta de controlo interno e externo por parte das entidades competentes, nomeadamente governamentais e judiciais, é transversal à generalidade das entidades públicas – a inépcia continua rainha. A apatia social também é cúmplice do desvario. A acção de fiscalização dos cidadãos é essencial para a responsabilização dos eleitos, como é disso exemplo este caso que teve origem em uma denúncia do MUAP- Movimento de Utentes da Águas do Planalto, no âmbito da luta que tem travado pela diminuição do elevado preço da água cobrado pela AMRPB. Já há muito que todos sabemos que são os contribuintes que pagam os forrós e consequentes buracos financeiros de toda e qualquer entidade pública (e privada, no caso dos Bancos). Enquanto não se elevarem os critérios daquilo que se considera aceitável em política, não há lei, polícia ou deuses que nos valham. Comecemos por varrer o chico-esperto, pois é esse que uma vez no poder- seja ele qual for -vai tentar obter um privilégio pessoal ilegítimo que prejudica o bem comum acalentado pela esperança de não ser descoberto. Este ano não se esqueça de dar uso à vassoura que o seu voto contém, e higienize o seu concelho e/ou freguesia. Rejeite a “farsa, com orquestra e lustres” que tem recebido como recompensa dos elevados impostos que paga.
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sexta-feira, 22 de abril de 2016
Mais uma viagem milionária paga pela Câmara de Lisboa
Por uma passagem aérea Lisboa/Cidade do Cabo (ida e volta) e alojamento na Cidade do Cabo a autarquia de Lisboa pagou 4.493,66 euros. Quem pesquisa no portal Base sobre a Câmara de Lisboa não deixa de ficar espantado com a quantidade de viagens e alojamento a preços muito acima dos valores normais de mercado. Aconselhamos a autarquia a preencher os campos “Documentos” e “Observações” para dar a conhecer aos cidadãos a companhia de aviação, os hotéis em causa e, já agora, o fim da própria deslocação.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Os incríveis contratos de 74,999 euros da FCSH
O Código dos Contratos Públicos é claro. Aquisições de bens e serviços de valor inferior a 75.000 euros podem ser celebrados via ajuste directo – a partir desse valor é obrigatório realizar um concurso público.
A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas arranjou um esquema para escapar à convocação de um concurso público que iria pôr várias empresas a disputar os serviços em causa: viagens e alojamento. Dividiu a aquisição em causa por três empresas, por ajuste directo e nunca ultrapassando a tal barreira dos 75 mil euros.
- Viagens El Corte Inglés: 74.990 euros;
sexta-feira, 15 de abril de 2016
Lembra-se da viagem de Felgueiras a Moçambique? Pecámos por defeito
No final de Março o Má Despesa partilhou com os leitores que a autarquia de Felgueiras tinha levado dezassete (17!) pessoas numa "delegação municipal" a Moçambique para "participar nas comemorações do 57.º aniversário da elevação de Mocímboa da Praia a vila, no âmbito do processo de geminação existente", pelo preço de 69.992,40 € (+IVA). Contudo, algo nos tinha escapado relativamente a essa viagem, pois havia outro contrato publicado para o mesmo efeito. A empresa municipal ACLEM - Arte, Cultura e Lazer também contribuiu com 33.313,60 € (+IVA).
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Que viagens são estas, Fernando Medina?
Nos últimos dias a Câmara de Lisboa tem publicado vários contratos, por ajuste directo, de viagens e alojamentos a preços nada em conta. Aqui vão alguns exemplos:
- Duas passagens aéreas Lisboa/Antuérpia/Lisboa e alojamento em Antuérpia: 1.922,46 €
- Duas passagens aéreas Lisboa/Nantes/Lisboa e alojamento em Nantes. 2.361,12 €
- Duas passagens aéreas Lisboa/Valência/Lisboa: 1.230,00 €
- Duas passagens aéreas Lisboa/Leiden (Amesterdão)/Lisboa e alojamento em Leiden: 1.916,52 €
- Três passagens aéreas Lisboa/Madrid/Lisboa e alojamento em Madrid: 2.608,50 €
- Quatro passagens aéreas Lisboa/Bruxelas/Lisboa e alojamentos em Bruxelas: 3.313,96 €
- Duas passagens aéreas Lisboa/Friburgo (Alemanha)/Lisboa e alojamentos em Friburgo: 1.904,38 €
E isto é apenas uma amostra. Consulte a lista completa aqui.
segunda-feira, 28 de março de 2016
Felgueiras paga viagens a Moçambique!
| Vila de Mocímboa da Praia |
O município de Felgueiras decidiu levar dezassete (17!) pessoas na delegação municipal de uma viagem a Moçambique que decorreu entre os dias 2 a 12 deste mês. O motivo? "Participar nas comemorações do 57.º aniversário da elevação de Mocímboa da Praia a vila, no âmbito do processo de geminação existente"(fonte: acta n.º 4/2016 da Câmara Municipal de Felgueiras). Preço: 69.992,40 € (+IVA).
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Como o Estado está a pagar milhares de euros a mais em viagens
Os
custos das viagens por parte de entidades públicas é assunto frequente aqui no
Má Despesa pelos elevados valores. Parece que ninguém fiscaliza este assunto,
mas a TVI apresenta uma justificação para os preços altos: um truque baseado na
percentagem de desconto. É que para a adjudicação não conta o preço final, mas
a percentagem do desconto. Uma loucura!
«O
Estado português compra viagens acima do preço do mercado e está a pagar
serviços 10, 20, 50, 80% mais caro do que devia, apurou a TVI.
O valor das aquisições anuais para viagens e estadias ascende a cerca de 25 milhões de euros por ano, há já quatro anos. O primeiro problema é o critério adotado pelo Estado para adjudicar os contratos: o que conta é o desconto, não é o preço final.
Veja-se o seguinte exemplo da Osiris Viagens e Turismo, a agência que presta serviços ao Politécnico de Lisboa ao abrigo do Acordo Quadro:
O Estado pagou por dois bilhetes em voos da TAP para Gijón, em Espanha, 573, 96 euros, preço que não inclui o desconto de 9,96% definido sobre o total da fatura. O problema é que o valor real das passagens era de 423,58 (mais a taxa de serviço, insignificante). Os contribuintes pagaram, portanto, 50% a mais. Na realidade, a agência inflacionou os seus serviços para, dessa forma, poder fazer o desconto que lhe permitiu ganhar o concurso. A Osiris não podia fazer um desconto de quase 10%, já que a comissão que a TAP dá às agências é de meio ponto percentual.
Nem o Ministério das Finanças escapa ao esquema: comprava viagens à Top Atlântico, a agência que ganhou o concurso a troco de um desconto de 14%.
A 6 de Abril é emitido um bilhete em nome de uma diretora de departamento: Lisboa-Frankfurt-Washington-Frankfurt-Lisboa. A viagem custou 3.244,21 euros, menos 454,19 euros- o desconto prometido.
Ou seja, uma passagem que podia ter custado 2.175,87 euros ao Estado saiu por 2.790,02: uma diferença de quase 650 euros num só bilhete.» Veja aqui o vídeo da TVI
O valor das aquisições anuais para viagens e estadias ascende a cerca de 25 milhões de euros por ano, há já quatro anos. O primeiro problema é o critério adotado pelo Estado para adjudicar os contratos: o que conta é o desconto, não é o preço final.
Veja-se o seguinte exemplo da Osiris Viagens e Turismo, a agência que presta serviços ao Politécnico de Lisboa ao abrigo do Acordo Quadro:
O Estado pagou por dois bilhetes em voos da TAP para Gijón, em Espanha, 573, 96 euros, preço que não inclui o desconto de 9,96% definido sobre o total da fatura. O problema é que o valor real das passagens era de 423,58 (mais a taxa de serviço, insignificante). Os contribuintes pagaram, portanto, 50% a mais. Na realidade, a agência inflacionou os seus serviços para, dessa forma, poder fazer o desconto que lhe permitiu ganhar o concurso. A Osiris não podia fazer um desconto de quase 10%, já que a comissão que a TAP dá às agências é de meio ponto percentual.
Nem o Ministério das Finanças escapa ao esquema: comprava viagens à Top Atlântico, a agência que ganhou o concurso a troco de um desconto de 14%.
A 6 de Abril é emitido um bilhete em nome de uma diretora de departamento: Lisboa-Frankfurt-Washington-Frankfurt-Lisboa. A viagem custou 3.244,21 euros, menos 454,19 euros- o desconto prometido.
Ou seja, uma passagem que podia ter custado 2.175,87 euros ao Estado saiu por 2.790,02: uma diferença de quase 650 euros num só bilhete.» Veja aqui o vídeo da TVI
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Banco de Portugal: Só grandes despesas
1.750.000,00 € (+IVA) é o valor destinado a serviços de transporte e alojamento do Banco de Portugal durante 365 dias. Ao contrário do ano passado, ficamos sem saber quais os valores máximos pagos pelo BdP para as viagens e alojamento dos seus colaboradores, uma vez que essa informação consta dos anexos do contrato, os quais não foram publicados. O Má Despesa está em crer que a decisão de ocultação desta informação é alheia ao texto aqui publicado em Outubro sobre a lista de hotéis da instituição que -aparentemente- se esquece de supervisionar o sistema bancário nacional.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Gosta de viajar? Envie o CV para a InovCluster
É possível que nunca tenha ouvido
falar da InovCluster - Associação do Cluster Agro-Industrial do
Centro, mas trata-se de uma associação que agrupa empresas e outras
entidades da área agro-industrial daquela região. Desenvolve as
suas actividades graças a fundos europeus. A avaliar pela quantidade
de viagens que efectuam, deve ser um local de sonho para trabalhar.
Olhe só para estes exemplos (e preços) de 2015:
- alojamento em Madrid para sete pessoas: 5.285,00 €
- alojamento e viagens indefinidas: 15.950,00 €
- viagem e alojamento para uma pessoa ao México e Colômbia: 5.540,00 €
- viagem e alojamento à China para duas pessoas: 5.600,00 €
- viagem e alojamento a Londres para uma pessoa: 1.490,00 €
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Póvoa de Varzim: Três semanas no Brasil para isto?
Quase 34 mil euros (33.670,00 €), fora IVA, é o montante que o município de Póvoa de Varzim gastou só em viagens e alojamento nas últimas três semanas no Brasil. Sim, o contrato relativo a "bilhetes de avião e estadia- viagem ao Brasil" informa que os serviços são prestados do dia 7 ao dia 30 de Janeiro de 2015, mas não dá qualquer informação quanto ao propósito da viagem. O Má Despesa ficou curioso e encontrou a resposta no jornal Correio do Minho, segundo o qual o presidente da Câmara foi para o Brasil no âmbito das comemoração dos 85 anos da Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro e levou o Rancho Poveiro como companhia. Atenção que o programa não se ficou por aqui. O autarca também foi «prestar uma homenagem ao Monsenhor Abílio da Nova, enterrado no Brasil, com a colocação de uma placa na sua campa. Para o Presidente, trata-se de “uma justa homenagem a quem tanto trabalhou e dedicou à Póvoa. O Município tem obrigação de não deixar esquecer o Monsenhor Abílio da Nova”.»
sexta-feira, 13 de junho de 2014
CML: A autarquia que parece viver em Paris
O Município de Lisboa passa a vida em Paris e as viagens a esta cidade já não são assunto novo no Má Despesa, tendo em conta os montantes envolvidos. Agora descobrimos que em Março a Câmara da capital gastou quase 5 mil euros (2.424,79 € e 2.549,79 €) por duas passagens aéreas Lisboa/Paris/Lisboa e alojamento em Paris, em Abril foram mais de 2 mil euros (2.159,50 €) por uma passagem aérea e alojamento na capital francesa, e em Maio gastou quase 4 mil euros (3.839,00 €) por duas passagens e alojamento. Para ter uma ideia do nível de poupança da autarquia lisboeta, fique a saber que a Escola Nacional de Saúde Pública foi a Miami por 711,58 €.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Loures: Câmara pagava serviços de assessoria a uma empresa de comércio de vestuário registada numa imobiliária
É um dos resultados conhecidos da auditoria às contas do município de Loures, requerida pelo actual executivo, que também apurou gastos superiores a 800 euros mensais em cápsulas de café (quase 40 mil euros nos últimos quatro anos). A TVI24 noticiou o caso e o Má despesa foi espreitar o comunicado de imprensa do executivo municipal sobre a referida auditoria aos últimos três mandatos. Ora vejamos como era gasto parte do dinheiro dos contribuintes pelos anteriores executivos, num relato cheio de casos de polícia.
- Viagens, estadas e despesas de representação
- A maioria das deslocações dos membros do executivo, a rondar os 300 mil euros, não se encontra fundamentada nem tem relatórios de avaliação que demonstrem o seu interesse para o município e não havia critérios para a composição das delegações;
- Eram frequentes as adjudicações posteriores à realização das deslocações;
- O chefe de gabinete do anterior presidente da Câmara foi o que mais viajou;
- Só em refeições, os membros do executivo gastaram mais de 110 mil euros e nos Serviços Municipalizados foram gastos mais de 60 mil euros;
- Na maioria das situações os justificativos tinham como fundamentação “almoço de trabalho com deputados municipais”, “almoço de trabalho com autarcas”, “almoço de trabalho de vereadores”, “jantar com junta de freguesia”- tudo escrito no verso das facturas ;
- Os funcionários do gabinete de apoio ao executivo gastaram mais de 117 mil euros em despesas de representação.
- Comunicações
- Desde 2002 gastaram-se mais de 8 milhões de euros em comunicações, em média cerca de 680 mil euros por ano. Nos últimos quatro anos a média anual de gastos superou os 850 mil euros;
- Nos últimos quatro anos, o presidente da Câmara gastou mais de 83 mil euros (mais de 1700 euros mensais) , o seu chefe de gabinete gastou cerca de 25 mil euros (520 euros mensais) e o vereador Ricardo Lima gastou mais de 32 mil euros (quase 700 euros mensais);
- Em várias situações os gastos ultrapassaram os limites definidos, tendo a Câmara assumido os encargos sem qualquer justificação expressa, ao contrário do que era exigível:
-Foram irregularmente atribuídos telemóveis a dois prestadores de serviços, com gastos de quase 6 mil euros;
- Em Julho de 2010 foi determinada, para o segundo semestre do ano, uma redução de 20% dos custos com comunicações, mas verificou-se um aumento de 15,42%;
- 3 iPhones e dois tablets ainda não foram devolvidos por membros do anterior executivo; outros dois iPhones foram devolvidos em estado de completa deterioração.
- Viaturas
- Com um elevado número de viaturas atribuídas a membros de gabinetes do executivo municipal, a regra do abastecimento preferencial no posto de abastecimento municipal foi frequentemente violada, com a utilização recorrente do cartão Galp Frota;
- Não foram estabelecidos procedimentos objectivos e transparentes para a manutenção e utilização das viaturas, nem para o controlo dos seus custos de utilização, o que se traduziu no aumento destes;
- Não existe, em vários períodos, o registo fiável dos quilómetros percorridos e dos litros de combustível abastecidos em cada viatura;
- Os membros do executivo e dos respectivos gabinetes gastaram cerca de 40 mil euros (metade do total da Câmara) no cartão Galp Frota e cerca de 23 mil euros em Via Verde;
- Quase 5 mil euros das despesas no cartão Galp Frota e na Via Verde ocorreram em períodos de férias;
- Foram atribuídas duas viaturas a prestadores de serviços com acesso a Via Verde e Galp Frota.
- Avenças e prestações de serviço
- Nos últimos seis anos gastaram-se mais de 600 mil euros em quatro avenças de apoio aos gabinetes do executivo municipal , com as empresas Faça Sucesso, Transes, Gammaconsult, Riscomínimoo, que se traduziu em "trabalho pouco evidente";
- Foram analisadas cinco avenças de apoio a unidades orgânicas, com as empresas Dropwater, SASLBM e associados, Francisco Carmo, Redondateoria e Small People. Em relação a todas verificou-se o não cumprimento do objceto do contrato. O actual executivo popôs a sua cessação por não serem necessárias aos serviços;
- "No caso da Small People, trata-se de uma empresa de comércio de vestuário que prestava assessoria na elaboração de estudos e projectos para uma nova matriz de intervenção dos serviços de apoio à família nas escolas. A sua morada oficial corresponde a uma imobiliária e os telefones registados são da referida imobiliária e de uma empresa de artes gráficas;"
- Entre 2008 e 2013, duas empresas, a Masterteoria e a Redondateoria, receberam mais de 410 mil euros para prestarem serviços relacionados com os processos de indemnização por responsabilidade civil que actualmente são tratados pelos serviços municipais, sem recurso a entidades externas. Estas empresas partilhavam a morada e pelo menos um dos representantes oficiais.
- Consultadoria jurídica
- Não há cadastro processual actualizado, nem inscrição dos movimentos no livre de registos ou duplicação de inscrições. Também não há registo fiável da existência ou do estado dos processos;
- A maioria dos processos não se encontra fisicamente na autarquia, mas sim nos escritórios dos advogados que prestam serviços à Câmara;
- 85 processos referentes a rendas de habitação social não tiveram, de 2007 a 2010, qualquer desenvolvimento;
- há 188 processos instruídos por advogados que deixaram de prestar serviços à Câmara, sem que tenham sido redistribuídos – alguns não chegaram sequer a ser devolvidos ao gabinete municipal competente.
Pode ler outros casos desta autarquia relatados pelo Má Despesa aqui.
Pode ler outros casos desta autarquia relatados pelo Má Despesa aqui.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Muito se viaja pelo Instituto da Juventude e do Desporto
O Instituto Português da Juventude e do Desporto- IPDJ, I. P., comprou, por ajuste directo, 50 mil euros em "serviços de agências de viagens e serviços similares" para um período de cerca de 11 meses (10 meses e 23 dias), o que corresponde a um valor médio superior a 4500 euros mensais. Mas, pelos vistos, esta despesa pode ser bem superior, tendo em conta que este ajuste directo contém a seguinte observação: "o volume de negócio de 80.000,00 € é uma mera estimativa de gastos com serviços de viagens pelo que as referidas quantias não vinculam de forma alguma a entidade adquirente." Aparentemente, o IPDJ é gerido pelo modelo que (não) tem servido o país - o da mera estimativa no que toca a gastar dinheiro, ainda que falemos de viagens.
terça-feira, 25 de junho de 2013
O seu autarca é estróina na utilização do carro de serviço?
É conhecido e sabido que neste país muitos membros dos executivos municipais-e das empresas locais- utilizam os carros públicos para fins privados. Até há quem se demita sem cerimónia quando lhe tiram esse particular direito, como foi o caso da ex-directora da Águas de Santarém, Marina Carreiro Ladeiras. Há um pouco de tudo e até situações em que o carro serve para o motorista. No município da Azambuja, e como já foi noticiado pelo jornal O Mirante, é o motorista do presidente da autarquia que usa a viatura oficial para se deslocar diariamente entre Lisboa e Azambuja, visto residir na capital. Segundo o jornal, a situação dura desde o primeiro mandato do presidente Joaquim Ramos, eleito em 2002, e "o carro da presidência, um Audi A6 comprado já este mandato, passeia todos os dias entre a capital e o concelho de Azambuja muitas vezes só com o motorista, que reside na capital. O presidente tem casa em Lisboa, para onde pontualmente se desloca, mas no dia-a-dia permanece sobretudo em Azambuja, como é possível constatar. O presidente da câmara mora nas imediações da igreja, muito perto do edifício da câmara para onde vai a pé." E atenção que a pândega não fica por aqui, pois até o cão do presidente de câmara da Azambuja já foi ao cabeleireiro a Alenquer de motorista e viatura oficiais, segundo o jornal Fundamental.
Convém recordar, e a título de exemplo contrastante, que os autarcas da rica Dinamarca têm direito ao passe de transporte público para as viagens entre a residência e o local de trabalho.
O Má Despesa anda à procura deste tipo de maus exemplos que não se encontram publicados em fontes oficiais, pelo que pede a ajuda dos leitores na descoberta - e divulgação- de situações similares. Não hesite em enviar e-mail para madespesapublica@gmail.com, caso tenha conhecimento comprovado de autarcas, e "tudo à volta", que utilizem os carros de serviço para fins indevidos/pessoais.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Sardoal: passeios para (quase) todos
Um leitor do Má Despesa chamou a atenção para as viagens patrocinadas pela autarquia do Sardoal aos seus munícipes.
Na reunião do passado dia 6 de Março a autarquia "aprovou a realização de uma viagem para reformados e maiores de 60 anos a esta cidade espanhola [Barcelona], em Junho, durante cinco ou seis dias, com um custo de 1.600 euros. A proposta apresentada pela maioria social-democrata justifica este passeio "considerando a importância da cidade de Barcelona no contexto ibérico e a ligação histórica de Portugal à Catalunha". A viagem para os jovens ficou marcada para Julho, durante duas semanas, começando pelas praias da Normandia, "palco da mais extraordinária ação militar da última grande guerra", e terminando em Paris, na Eurodisney. O orçamento é de 5.400 euros, mais ajudas de custo, uma vez que a deslocação conta com o apoio de alguns municípios franceses e de famílias locais que vão acolher os estudantes portugueses nas suas casas", lê-se no Rede Regional.
O presidente da câmara municipal exerceu o seu direito de resposta, informando que "o Município de Sardoal apenas disponibiliza o transporte em autocarro" a Barcelona e que "a Viagem de Estudo não é à Eurodisney, mas sim à Costa da Normandia, local de desembarque das tropas aliadas durante a II Guerra Mundial, com passagem pelo Cemitério americano de Omaha, onde repousam os restos mortais de 9387 jovens. No regresso, os alunos visitam, de facto, a Eurodisney, durante algumas horas."
Mais um autarca a ignorar que "em ano geado, não há pão dobrado".
Mais um autarca a ignorar que "em ano geado, não há pão dobrado".
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Presidente da CML no Rio de Janeiro
"O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, esteve no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 9 de Dezembro para representar a Câmara Municipal de Lisboa na 1ª Mostra de Imobiliário de Portugal", lê-se no site da CML.
Os valores apurados pelo Má Despesa no portal BASE relativos a contratos de viagens (e alojamentos) da CML à "cidade maravilhosa", adjudicados em Novembro/Dezembro, rondam os 11 mil euros (aqui e aqui). António Costa no Rio de Janeiro durante três dias ficou assim tão caro ou o site do município não diz tudo?!
E atenção que só estamos a falar dos valores declarados - nunca sabemos quantos euros ficam trancados no mundo oculto das entidades públicas. E, como sabemos, a CML não é um exemplo de transparência.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Infarmed: um problema no planeamento de viagens
O Infarmed- Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde I.P., gastou mais de 5 mil euros, num só dia (28.12.2012), para cancelar viagens junto das agências às quais costuma adquirir o serviço (aqui: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7).
Vindo deste instituto público, talvez o cancelamento seja a opção (ainda assim) mais económica para os bolsos dos contribuintes, tendo em conta que uma pessoa do Infarmed gasta mais de 750 euros numa deslocação a Madrid, por um dia .
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Município de Lisboa: poupar é impossível
Duas passagens aéreas e alojamento em Paris por 2.371,04 € , por quatro dias (correspondente a três noites, presume-se). Despesa feita pelo Município de Lisboa no mês de Maio do ano passado.
O Má Despesa fez contas e conseguia o mesmo por pouco mais de metade, e tudo com muita dignidade.
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