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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O caso do Edifício Transparente (e sem fim)



A notícia foi discreta. “A Câmara Municipal do Porto ainda não conseguiu vender o Edifício Transparente (ET), no Porto. O processo de ajuste directo para vender o imóvel, iniciado há um ano pela autarquia, não se concretizou, depois da hasta pública também não ter tido licitadores. A autarquia colocou o edifício à venda a 16 de Fevereiro de 2017 por 7,96 milhões de euros e, sem quaisquer interessados em comprar o imóvel, colocou-o à venda por ajuste directo durante um ano, isto é, por um valor até cinco por cento inferior ao valor base de licitação do imóvel em causa”, escreveu o JPN

A explicação do caso Edifício Transparente tinha já sido alvo de ampla análise no livro “Má Despesa Pública”, que chegou às livrarias em... 2012.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Elefantes Brancos (3): Um edifício sem função transformado em shopping


I
Concebido no âmbito do programa Polis do Porto o edifício foi inaugurado em 2001, para as comemorações da Capital Europeia da Cultura. O projecto, do premiado arquitecto catalão Solà-Morales, pretendeu rematar a ligação entre o arque da cidade e marginal da Foz. As ideias geraram um edifico longo e envidraçado, sem programa definido, protegido do vento e mar mantendo-se aberto à paisagem.
Miradouro desnivelado, conjunto de percursos, ou contentor espacial são várias das designações para o objecto construído. Com tradução do conceito de “avanço tecnológico”, “excelência” e “nobreza”, Edifício Transparente acabou por ser a designação oficial.

II
A diversidade de definições ilustra a dificuldade em reunir consenso quanto à função do edifício. De facto, até ser lançado um concurso de reconversão do espaço, o edifício transparente não foi mais do que 4 pisos de rampas à entrada de Matosinhos. Sem uso definido além de “marco visual” assim permaneceu até ao lançamento de um projecto de reconversão em 2007. Só após obras orçadas em 15 milhões de euros foi definido um uso para o edifício. Como galeria comercial de lojas e restaurantes, à beira mar, mediante concessão pública até 2024. Questionado se não estaria perante mais um shopping, Carlos Prata, autor do projecto, preferiu classificar o novo espaço como "concentração comercial".

III
A CMP tentou vender o edifício, em 2011, por 4.068 milhões de euros, mas a venda foi inviabilizada por se encontrar o mesmo em zona de domínio público marítimo. Este factor contribui também para alguns dos problemas actuais como a falta de estacionamento próximo e entraves patrimoniais a alterações mais profundas na estrutura, como o fechamento da fachada sul, mais exposta ao vento, ou a colocação de publicidade exterior. Questões a juntar à polémica de um edifício ainda incompreendido por quem o usa e por quem o pagou.

Manuel Rodrigues

Fontes:
JN – Jornal de Noticias 28.01.2009 e JPN – Jornalismo Porto Net 16.05.2011