A autarquia da Covilhã decidiu gastar 15 mil euros (+IVA) em merchandising promocional das "rotas da Serra da Estrela". Fica, portanto, a saber que terá à sua disposição "bonés, sacos de papel, lápis, pen´s e pin´s" quando visitar a segunda montanha mais alta do país. Não se esqueça também de programar muito bem a sua viagem pois já sabe que há sempre corte nas estradas de acesso ao maciço central da Serra da Estrela quando cai neve.
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sexta-feira, 31 de julho de 2015
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Barragem da Covilhã: Uma estranha trapalhada com 20 anos
"O contrato de financiamento para a construção da barragem da Ribeira das Cortes, na Covilhã, foi assinado a 20 de Julho de 2012 pela autarquia e pelo Governo e o investimento previsto era de 28,2 milhões de euros", noticiava a Rádio Cova da Beira, a 17 de Abril de 2013, na sequência da segunda revogação da declaração de Impacte Ambiental (DIA) da barragem da Covilhã, por parte da Secretaria de Estado do Ambiente e do Ordenamento do Território.(No mesmo mês,o tribunal deu provimento a uma providência cautelar interposta por um proprietário de um dos terrenos abrangidos.) A decisão governamental causou uma grande indignação ao autarca da Covilhã que considerou que "a não realização desta obra significa cerca de 26 milhões de euros de fundos comunitários POVT e Financiamento BEI desaproveitados, perdendo-se a oportunidade de criação de emprego e dinamização económica, numa região de forte emigração." Volvidos 8 meses, em Dezembro do ano passado, a RTP noticiava que a obra ia avançar, tendo obtido visto do Tribunal de Contas e a aprovação condicionada de uma nova DIA, o que levou a Quercus a recorrer às instâncias comunitárias - a associação ambientalista aponta a falta de pessoas (o concelho tem pouco mais de 50 mil habitantes e perdeu mais de 20 mil pessoas nos últimos 50 anos), os falsos números que sustentam o estudo (os níveis de consumo indicados são superiores aos reais) e a destruição de uma reserva natural com características únicas como causas de contestação da construção da barragem. Curiosamente, no início deste ano a autarquia entrou em saneamento financeiro e em Março o presidente da câmara da Covilhã assumiu não ter dinheiro para a obra, independentemente de problemas ambientais e jurídicos, mas admitiu avançar com um novo projecto noutro local (Rádio Cova da Beira, 2 de Março de 2014). É assinalável o rodopio de decisões sobre a obra ocorrido em menos de dois anos. A este bom exemplo do planeamento altamente defeituoso da gestão pública portuguesa não faltam dois distintos pormenores relatados pelo jornal i: i) caso a obra se realizasse no local escolhido pela autarquia (integrado na Rede Natura 2000) também destruiria património histórico e cultural que se encontra em recuperação com financiamento comunitário; ii) o ex-ministro Miguel Relvas foi um grande defensor da construção da barragem, invocando um interesse público focado no "financiamento comunitário, essencial para a construção da barragem, bem como uma séria de outras operações e negociações, nomeadamente concursos públicos."
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
5 casos de má despesa pública nas autarquias
Este artigo publicado no Dinheiro Vivo resume o propósito do livro "Má Despesa Pública nas Autarquias" que acaba de chegar às livrarias. É uma viagem ao país real.
«Onde se gasta o dinheiro público? A leitura de Má Despesa Pública nas Autarquias, de Bárbara Rosa e Rui Oliveira Marques, dá uma ajuda a perceber. Os autores já tinham levantado a ponta do véu do despesismo público o ano passado com o livro Má Despesa Pública, mas agora focam-se na forma como as autarquias investem o dinheiro dos contribuintes. O resultado não é tranquilizador. "Encontramos exemplos caricatos e outros perigosos sobre a forma como as autarquias gastam o dinheiro", adianta Rui Oliveira Marques.
Com edição da Alethêia, e prefácio de Paulo Morais ("voz que tem denunciado situações de corrupção em Portugal e, no caso das autarquias, nos departamentos de urnbanismo onde se centram todos os interesses"), a obra não pretende dizer aos eleitores como votar nas futuras eleições autárquicas. Mas pode funcionar como uma ferramenta para um maior escrutínio sobre a forma como o dinheiro público está a ser usado naquela que pode ser a sua autarquia.
Os casos espelhados em cerca de 200 páginas - e com base em fontes oficiais como o Tribunal de Contas e o BASE - Portal dos Contratos Públicos - revelam "projetos megalómanos", alguns dos quais nunca chegaram a sair do papel (mas onde se gastou dinheiro), e que o fenómeno das Parcerias Público-Privadas (PPP) não é exclusivo do Governo central. Há para todos os gostos: até para construir campos de futebol com relva sintética.
1. Aeroportos regionais prontos para receber Airbus
Construir aeroportos regionais é uma ambição para algumas autarquias nacionais. Em Ponte de Sor, Covilhã e Castelo Branco o desejo levou ao projeto de receber, em alguns casos, aviões tipo Airbus A320 e Boeing 737 que podem transportar entre 120 a 180 passageiros. Para isso, a autarquia de Ponte de Sor já gastou cerca de oito milhões de euros.
2. Cidades do cinema que são um verdadeiro filme
Portimão, Barreiro e Cascais são três autarquias que sonhavam em ter uma cidade do cinema no seu território, mas na maioria dos casos o filme nunca passou da fase do argumento. Na autarquia algarvia (talvez o caso mais mediatizado) o projeto de uma cidade do cinema tinham como caras o ator Joaquim de Almeida, a vice-presidente da CBS Lyn Fero e o presidente da CM Portimão, Manuel da Luz. O projeto foi apresentado em 2009, prometido um investimento de 3 mil milhões de euros, a criação de sete mil postos de trabalho, 11 estúdios, dois deles já a funcionar em 2010. O projeto que teria um custo de 200 milhões de euros seria complementado com o Media Park. Custo? 550 millhões.
Até agora o mega empreendimento "liderado por uma holding internacional" resultou apenas na construção do Portimão Arena. O desenvolvimento do cluster de cinema de Portimão está agora nas mãos da empresa municipal Portimão Urbis. Gastos? "Quarenta e três mil euros em consultadoria, 65 mil euros para procurar/sócios para o cluster de cinema, 127 mil euros para consultadoria fiscal e 34 980 euros para criar um livro e uma brochura do Plano de Negócios e Estúdio de Cinema de Portimão".
3. PPP para todos os gostos
Não foi apenas o Governo central a aderir às Parcerias Público-Privadas. A euforia das PPP também entusiasmou autarquias como Oeiras e Campo Maior e serviu para construir desde escolas e centros de congressos a piscinas.
Por 81 milhões de euros, a Câmara de Oeiras queria construir um centro de congressos, um de formação profissional, duas escolas e dois centros geriátricos. Foram criadas duas empresas onde a Câmara tinha 49% do capital, a OeirasExpo SA (para o centro de congressos e o de formação) e Oeiras Primus SA (escolas e centros geriátricos), ficando o restante capital nas mãos de privados. Em 2009 iniciou-se a construção dos seis equipamentos abrangidos pelas duas PPP em terrenos municipais "sem que as sociedades tivessem previamente adquirido (a título oneroso) correspondentes direitos de superfície e obtido as adequadas licenças de construção", relata o Tribunal de Contas.
As obras derraparam e no início de 2012 as dívidas da OeirasExpo e da OeirasPrimus aos empreiteiros ascendiam a 30 milhões . Mais, em fevereiro "nenhuma das sociedades tinha pago os empréstimos de curto prazo antes contratados nem o valor dos direitos de superfície prometidos adquirir ao município em execução do acordado nas parcerias", continua o Tribunal de Contas.
4. Concertos que são tudo menos gratuitos
Em Lisboa, a Câmara promoveu dois concertos gratuitos com Sérgio Godinho e Mariza em junho e outubro do ano passado. Os espectáculos foram de acesso gratuito para o público, mas custaram aos cofres da Câmara 47 mil e 28 mil euros, respetivamente.
Já a Câmara de Almada gastou 24,5 mil euros no concerto das comemorações do 39º aniversário do 25 de abril, valor a que se junta mais 20,3 mil euros para o fogo de artifício e 10 mil euros para promover na TV a nível nacional a festa local.
5. E sai mais um Centro Cultural
A ilha de São Miguel arrisca-se a ser a região do mundo "com maior número de equipamentos culturais por metro quadrado", considera o Má Despesa Pública nas Autarquias. "Depois dos projectos dos museus de arte contemporânea, um da responsabilidade do governo regional e outro da Câmara de Ponta Delgada, o mesmo município vai gastar 400 mil euros para a construção do Centro Cultural de Fenais da Luz. Esta freguesia tem 1962 habitantes."», artigo publicado no Dinheiro Vivo.
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quarta-feira, 17 de julho de 2013
11 anos a pagar à ex-mulher do presidente da Câmara
O jornalista do Público José António Cerejo acaba de vencer o Prémio Gazeta 2012 na categoria Imprensa,
atribuído pelo Clube de Jornalistas. A distinção foi atribuída
pelo conjunto de artigos sobre a Tecnoforma, empresa de que Passos
Coelho foi consultor e administrador.
O Má Despesa aproveita para felicitar
o jornalista pelo seu trabalho, nomeadamente pelas investigações
associadas a casos de favorecimento e corrupção nas autarquias.
Encontra aqui o arquivo de artigos do Público, alguns são
verdadeiras pérolas sobre gestão autárquica. Só para despertar a
curiosidade, relembramos um artigo recente de José António Cerejo em que explica como a
Câmara da Covilhã apoiou durante 11 anos uma associação para
pagar a ex-mulher do presidente da autarquia. «Era para ser um apoio
temporário: a câmara cederia "meios humanos" a uma
associação de desenvolvimento local até que fosse assinada uma
convenção já aprovada no quadro do programa Leader II, financiado
pela União Europeia. Os meios humanos cedidos resumiram-se a uma
funcionária, que tinha sido casada como o então (e actual)
presidente da câmara, que era também (e continua a ser) presidente
da associação, e do qual tem uma filha. E o prazo, que era
"temporário", prolongou-se por 11 anos, até ao final de
2012.» O artigo está aqui.
domingo, 12 de junho de 2011
350 mil para hotel da selecção
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