O Banco de Portugal (BdP) até nos cansa. A instituição que deixa muito, mas mesmo muito, a desejar no que diz respeito à competência e eficiência no cumprimento da sua missão, a supervisão do sistema bancário nacional, não perde hábitos que reclamam atenção por estas bandas . Ontem o BdP publicou um ajuste directo de 15.892,70 € (+IVA) para" serviços de eventos". O Má Despesa não consegue apurar o carácter do evento pois o Banco de Portugal omite essa informação. Esta semana a instituição publicou também um ajuste directo no valor de 850 mil euros (+IVA) para serviços de assessoria jurídica.
Blogue sobre advocacy em transparência e eficiência da gestão pública. E-mail: madespesapublica@gmail.com
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sexta-feira, 22 de julho de 2016
quarta-feira, 22 de junho de 2016
O Banco de Portugal vai de carrinho...novo
Esta semana o Banco de Portugal (BdP) publicou mais um ajuste directo para um carro no valor de 40.664,54 € (+IVA). Mas há mais. O BdP mantém outras práticas gestionárias que preocupam o Má Despesa, como o ajuste directo de 600 mil euros publicado no início do mês para assessoria jurídica. E ainda ontem o país ficou a saber que até a Comissão Europeia criticou a postura do BdP - e do anterior Governo- no caso Banif. Será que o governador do BdP vai levar o carro novo para ir de urgência à Assembleia da República por causa da desgraça da Caixa Geral de Depósitos? Este pedido foi apresentado ontem pelo Partido Socialista (Fonte: Rádio renascença) .
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
A Direção-Geral do Tesouro e Finanças também ignora os princípios da lei?
Voltamos ao mesmo, mais propriamente ao Código dos Contratos Públicos (CCP) na parte que estabelece como limite máximo o valor de 75 mil euros para qualquer ajuste directo de aquisição de serviços (al. a) do n.º1 do art. 20.º). Contudo, o mesmo Código prevê um rol de excepções que permite às entidades públicas fazerem ajustes directos cujo valor excede aquele limite. Ora vejamos um exemplo. A Direção-Geral do Tesouro e Finanças celebrou, no passado dia 5 de Outubro, um ajuste directo para serviços de consultoria financeira pelo valor de 110.700,00 € (+IVA), durante 3 anos. Aquela Direcção-Geral lá arranjou maneira de contratar alguém e pagar-lhe bem.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
As teias da Parque Expo
"O Governo anunciou a liquidação da Parque Expo pouco tempo depois de tomar posse. Está a terminar a legislatura e ainda não conseguiu extinguir a empresa", noticiava o Jornal de Negócios no passado mês de Março, altura em que a empresa apresentava um passivo de 232 milhões de euros. Ou seja, a extinção desta empresa pública foi anunciada em 2011 pela então ministra do ambiente, Assunção Cristas, que tutelava a pasta. Estamos em Setembro de 2015 e no passado dia 8 a falida empresa pública publicou um ajuste directo no valor de 48 mil euros (mais IVA), por serviços de assessoria jurídica, durante 2 meses. A sociedade de advogados contemplada foi a de Luís Nobre Guedes. E nem houve convite a outras entidades.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
A sorte grande da sociedade de advogados Morais Leitão
Várias autarquias da região de Lisboa decidiram avançar para tribunal com pedido de exclusão da Empresa Geral do Fomento (EGF) do capital da Valorsul. A EGF é a subholding da Águas de Portugal, que é accionista maioritária da Valorsul (55,63%) e que está em processo de venda à Suma (controlada pela Mota-Engil). Estes municípios estão contra o processo de privatização da EGF, porque não aceitam ficar numa posição minoritária e debaixo da alçada de privados naquela empresa de tratamento de resíduos. Enquanto a disputa segue em tribunal, a Sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados vai somando ajustes directos da EGF. É o caso deste de assessoria jurídica contra as autarquias de Loures, Lisboa, Odivelas, Vila Franca de Xira e Amadora no valor de 70 mil euros e deste, também de 70 mil euros, a propósito da autarquia do Seixal, que quer excluir a EGF de sócia da Amarsul – Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos. E porque foi escolhida esta sociedade de advogados? A publicação no Base é clara: “São os consultores jurídicos da privatização – a sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados – que conhece (sic) bem tudo o que se passou, o enquadramento jurídico da privatização, bem como o comportamento de todos os intervenientes, incluindo os municípios, ao longo de todo este longo processo; para além disso, porque são os mandatários da EGF, da AdP – Aguas de Portugal, S.A. e da Parpública, em todo o contencioso relativo à privatização, são os únicos que podem assegurar uma defesa coerente e articulada dos interesses da EGF”, pode ler-se.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Parque Escolar: O pesadelo que teima em não acabar
Entre 20 de Abril e 11 de Maio a famosa empresa pública Parque Escolar, que tem uma dívida superior a mil milhões de euros, assinou quatro contratos para serviços de assessoria jurídica. Ora vejamos a quem recorre a empresa pública conhecida pelo seu despesismo:
- 2 ajustes directos com a sociedade de advogados Correia Moniz & Associados, assinados no mesmo dia, um com o valor de 74.520,00 € (+IVA) e outro no valor de 8.832,00 € (+IVA). A este facto não terá sido alheio o limite legal de 75 mil euros para os ajustes directos de aquisição de bens e serviços.
- 1 ajuste directo com a sociedade de advogados Rui Pena, Arnaut & Associados no valor de 21.114,00 € (+IVA).
- 1 contrato com a sociedade de advogados Brito & Associados no valor de 107.637,00 € (+IVA).
segunda-feira, 20 de abril de 2015
A fusão da Estradas de Portugal com a Refer
No passado dia 9 de Abril, o Governo aprovou a fusão da Estradas de Portugal (EP) com a Refer na Infraestruturas de Portugal, tendo em vista uma alegada eficiência na gestão dos recursos. No mesmo dia a revista Visão, citando a Lusa, adiantava que "a comissão nomeada em Agosto tem que definir a modalidade jurídica da fusão e do modelo de governo da futura empresa Infraestruturas de Portugal, assim como redigir os estatutos e definir o plano estratégico para o triénio 2015-2017. " E o Má despesa foi espreitar os contratos publicados entretanto e relacionados com a fusão das duas empresas públicas:
- Parecer jurídico sobre o funcionamento da nova empresa: 15 mil euros (+IVA);
- Plano de comunicação e assessoria mediática no âmbito do processo de fusão: 25 mil euros (+IVA);
- Assessoria em gestão de recursos humanos no âmbito do processo de fusão: 119.700,00 € (+IVA).
É pena que não se conheçam os estudos nos quais o Governo se baseou para a decisão de fusão, a qual não será indiferente ao facto dos novos fundos comunitários excluírem o financiamento de infra--estruturas rodoviárias em Portugal.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Ponte da Barca precisa de pessoal?
A câmara municipal de Ponte da Barca tem na sua estrutura orgânica uma divisão e um núcleo para as áreas do Desporto, Juventude e Educação, entre outras áreas. Aparentemente, os serviços deste município minhoto não conseguem cumprir as suas atribuições, uma vez que a autarquia já gastou mais de 74 mil euros (65.964,80 € + 8.260,00 €), fora IVA, desde o início do ano em serviços de assessoria técnica para aquelas áreas da governação municipal. Por sinal, os dois ajustes directos foram adjudicados à mesma empresa.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Em Lisboa o ano de eleições sai-nos ainda mais caro
Sem surpresa, o Má Despesa tropeçou em contratos com valores interessantes pagos pelo município de Lisboa. Por "serviços de apoio técnico à presidente da Assembleia Municipal de Lisboa" são pagos mensalmente mais de 3500 euros (+ IVA) a uma pessoa. Mas o melhor foi em 2009, ano de eleições autárquicas. Essa pessoa assinou dois contratos de assessoria de imprensa, no mesmo dia, com a autarquia: um com o prazo de 31 dias (3.950,00 € +IVA) e outro com a duração de quase três anos (115.671,40 € +IVA).
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Loures: Câmara pagava serviços de assessoria a uma empresa de comércio de vestuário registada numa imobiliária
É um dos resultados conhecidos da auditoria às contas do município de Loures, requerida pelo actual executivo, que também apurou gastos superiores a 800 euros mensais em cápsulas de café (quase 40 mil euros nos últimos quatro anos). A TVI24 noticiou o caso e o Má despesa foi espreitar o comunicado de imprensa do executivo municipal sobre a referida auditoria aos últimos três mandatos. Ora vejamos como era gasto parte do dinheiro dos contribuintes pelos anteriores executivos, num relato cheio de casos de polícia.
- Viagens, estadas e despesas de representação
- A maioria das deslocações dos membros do executivo, a rondar os 300 mil euros, não se encontra fundamentada nem tem relatórios de avaliação que demonstrem o seu interesse para o município e não havia critérios para a composição das delegações;
- Eram frequentes as adjudicações posteriores à realização das deslocações;
- O chefe de gabinete do anterior presidente da Câmara foi o que mais viajou;
- Só em refeições, os membros do executivo gastaram mais de 110 mil euros e nos Serviços Municipalizados foram gastos mais de 60 mil euros;
- Na maioria das situações os justificativos tinham como fundamentação “almoço de trabalho com deputados municipais”, “almoço de trabalho com autarcas”, “almoço de trabalho de vereadores”, “jantar com junta de freguesia”- tudo escrito no verso das facturas ;
- Os funcionários do gabinete de apoio ao executivo gastaram mais de 117 mil euros em despesas de representação.
- Comunicações
- Desde 2002 gastaram-se mais de 8 milhões de euros em comunicações, em média cerca de 680 mil euros por ano. Nos últimos quatro anos a média anual de gastos superou os 850 mil euros;
- Nos últimos quatro anos, o presidente da Câmara gastou mais de 83 mil euros (mais de 1700 euros mensais) , o seu chefe de gabinete gastou cerca de 25 mil euros (520 euros mensais) e o vereador Ricardo Lima gastou mais de 32 mil euros (quase 700 euros mensais);
- Em várias situações os gastos ultrapassaram os limites definidos, tendo a Câmara assumido os encargos sem qualquer justificação expressa, ao contrário do que era exigível:
-Foram irregularmente atribuídos telemóveis a dois prestadores de serviços, com gastos de quase 6 mil euros;
- Em Julho de 2010 foi determinada, para o segundo semestre do ano, uma redução de 20% dos custos com comunicações, mas verificou-se um aumento de 15,42%;
- 3 iPhones e dois tablets ainda não foram devolvidos por membros do anterior executivo; outros dois iPhones foram devolvidos em estado de completa deterioração.
- Viaturas
- Com um elevado número de viaturas atribuídas a membros de gabinetes do executivo municipal, a regra do abastecimento preferencial no posto de abastecimento municipal foi frequentemente violada, com a utilização recorrente do cartão Galp Frota;
- Não foram estabelecidos procedimentos objectivos e transparentes para a manutenção e utilização das viaturas, nem para o controlo dos seus custos de utilização, o que se traduziu no aumento destes;
- Não existe, em vários períodos, o registo fiável dos quilómetros percorridos e dos litros de combustível abastecidos em cada viatura;
- Os membros do executivo e dos respectivos gabinetes gastaram cerca de 40 mil euros (metade do total da Câmara) no cartão Galp Frota e cerca de 23 mil euros em Via Verde;
- Quase 5 mil euros das despesas no cartão Galp Frota e na Via Verde ocorreram em períodos de férias;
- Foram atribuídas duas viaturas a prestadores de serviços com acesso a Via Verde e Galp Frota.
- Avenças e prestações de serviço
- Nos últimos seis anos gastaram-se mais de 600 mil euros em quatro avenças de apoio aos gabinetes do executivo municipal , com as empresas Faça Sucesso, Transes, Gammaconsult, Riscomínimoo, que se traduziu em "trabalho pouco evidente";
- Foram analisadas cinco avenças de apoio a unidades orgânicas, com as empresas Dropwater, SASLBM e associados, Francisco Carmo, Redondateoria e Small People. Em relação a todas verificou-se o não cumprimento do objceto do contrato. O actual executivo popôs a sua cessação por não serem necessárias aos serviços;
- "No caso da Small People, trata-se de uma empresa de comércio de vestuário que prestava assessoria na elaboração de estudos e projectos para uma nova matriz de intervenção dos serviços de apoio à família nas escolas. A sua morada oficial corresponde a uma imobiliária e os telefones registados são da referida imobiliária e de uma empresa de artes gráficas;"
- Entre 2008 e 2013, duas empresas, a Masterteoria e a Redondateoria, receberam mais de 410 mil euros para prestarem serviços relacionados com os processos de indemnização por responsabilidade civil que actualmente são tratados pelos serviços municipais, sem recurso a entidades externas. Estas empresas partilhavam a morada e pelo menos um dos representantes oficiais.
- Consultadoria jurídica
- Não há cadastro processual actualizado, nem inscrição dos movimentos no livre de registos ou duplicação de inscrições. Também não há registo fiável da existência ou do estado dos processos;
- A maioria dos processos não se encontra fisicamente na autarquia, mas sim nos escritórios dos advogados que prestam serviços à Câmara;
- 85 processos referentes a rendas de habitação social não tiveram, de 2007 a 2010, qualquer desenvolvimento;
- há 188 processos instruídos por advogados que deixaram de prestar serviços à Câmara, sem que tenham sido redistribuídos – alguns não chegaram sequer a ser devolvidos ao gabinete municipal competente.
Pode ler outros casos desta autarquia relatados pelo Má Despesa aqui.
Pode ler outros casos desta autarquia relatados pelo Má Despesa aqui.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Minha querida empresa municipal
Almeida é um concelho do distrito da Guarda com 7.242 habitantes (CENSOS 2011). Não sabemos exactamente quanto deve a autarquia, pois os respectivos documentos financeiros disponíveis no site da câmara municipal respeitam ao 2.º semestre de 2011 e a IGAL, fundida na IGF, deixou de publicar informação sobre a vida financeira e administrativa dos municípios. Mas sabemos quanto vai pagar por serviços de assessoria sobre o novo regime jurídico do sector empresarial local: 24.700,00€.
É o que dá ter uma empresa municipal com 50 funcionários, a ALMEIDA MUNICÍPIA – Gestão de Reabilitação Urbana, Desenvolvimento Económico e Gestão de Equipamentos, que não cumpre os novos requisitos legais e um presidente da câmara empenhado em manter a empresa.
É o que dá ter uma empresa municipal com 50 funcionários, a ALMEIDA MUNICÍPIA – Gestão de Reabilitação Urbana, Desenvolvimento Económico e Gestão de Equipamentos, que não cumpre os novos requisitos legais e um presidente da câmara empenhado em manter a empresa.
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